O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que integrantes da família Bolsonaro promoveram um “movimento contrário ao PIX” e declarou que o sistema de transferências instantâneas será protegido pelo governo. Durigan disse que o PIX não está sujeito a negociação entre autoridades e que permanecerá resguardado como instrumento de soberania financeira.
O pronunciamento ocorre em meio a questionamentos dos Estados Unidos, que acusam o Banco Central do Brasil (BC) de atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos, favorecendo o PIX em detrimento de empresas americanas. Como retaliação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigar práticas consideradas abusivas pelo órgão.
Segundo o governo norte-americano, a conduta do BC restringiria a atuação de concorrentes no mercado de serviços de pagamento eletrônico. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o documento referia-se a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo ofertas públicas; na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade no país.
Outros integrantes do governo também defenderam a ferramenta. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que o tema é sensível à soberania nacional e que o governo não colocará o PIX em mesa de negociação com os Estados Unidos. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as críticas americanas como injustas e ressaltou que o PIX é uma conquista social que presta serviço à economia sem custo direto para a população.
Dados do Banco Central mostram que o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025, um recorde, alta de 33,6% em relação a 2024, quando o total foi de R$ 26,46 trilhões. O número de operações também cresceu: foram 79,8 bilhões em 2025 ante 63,5 bilhões em 2024. Em novembro de 2025, ao completar cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, Renato Gomes, afirmou que quase toda a população adulta já utilizava o PIX, destacando a velocidade da adoção e o papel do sistema na inclusão financeira.
O Banco Central anunciou ainda novas funcionalidades para o PIX que devem ser implementadas nos próximos meses e anos. Entre elas estão: cobrança híbrida (QR code integrando opção de pagamento por boleto), com previsão de obrigatoriedade a partir de novembro; pagamento de duplicatas escriturais via PIX; adaptação ao sistema de cobrança de tributos em tempo real ligado à reforma tributária (CBS) prevista para 2027; e estudos para PIX internacional, PIX em garantia, pagamentos por aproximação no modo offline e padronização do PIX Parcelado, cuja data de implementação depende de recursos e decisão do BC. O parcelamento por PIX já é oferecido por instituições, mas a regulamentação busca uniformizar regras e fomentar competição.
As autoridades do governo reafirmaram que o PIX continuará sendo defendido como patrimônio público enquanto o Executivo contestar as críticas externas sobre a operação do sistema.
Com informações de G1




