A Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV), equivalente a uma queda de R$ 0,93 por litro, medida que trouxe otimismo ao segmento de aviação agrícola. Especialistas e representantes do setor, porém, ressaltam que a repercussão sobre os custos operacionais deve ocorrer de forma gradual, com efeitos mais perceptíveis no médio e longo prazo.
Impacto do combustível nos custos da aviação agrícola
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) informa que cerca de 30% da frota aeroagrícola brasileira utiliza QAV, o que torna a variação desse insumo relevante para as despesas do setor. O economista Claudio Junior Oliveira, do Sindag, afirma que as aeronaves movidas a querosene de aviação são essenciais devido à eficiência e à alta demanda por serviços como pulverização e semeadura.
Alterações no preço do combustível refletem diretamente nos custos dos serviços prestados ao agronegócio e, por consequência, em toda a cadeia produtiva de alimentos. Embora a redução anunciada diminua o custo imediato por litro, o setor ainda convive com uma inflação acumulada de 51,6% registrada em abril, que ainda pesa sobre as operações.
Desafios e expectativas para o futuro
Segundo especialistas ouvidos, a perspectiva é de que a queda no valor do QAV seja gradualmente incorporada pela cadeia de distribuição e pelas empresas prestadoras de serviço, o que significa que os benefícios não devem ser instantâneos. A dinâmica internacional também influencia as expectativas: tensões geopolíticas e oscilações no mercado global de energia têm impacto sobre os preços internos.
O mercado brasileiro de combustíveis segue atrelado a fatores externos, como as tensões no Oriente Médio, que podem afetar rotas de transporte de petróleo e, consequentemente, os preços internacionais. Além disso, condições econômicas domésticas — incluindo juros elevados — mantêm o cenário desafiador para a redução imediata dos custos operacionais.
Em resumo, a redução do preço do QAV representa um alívio para a aviação agrícola e para o agronegócio, mas não é suficiente, por ora, para reverter integralmente os custos acumulados ao longo dos últimos meses. O setor acompanha a evolução dos preços na expectativa de maior estabilidade que favoreça a competitividade das operações agrícolas no país.
Com informações de Uberlandianofoco




