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terça-feira, novembro 3, 2026

Entidades vão ao STF contra decisão do Congresso que suspende orientação sobre aborto legal em crianças

Entidades planejam ação no STF após Congresso derrubar resolução do Conanda

Organizações que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) vão questionar no Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da resolução 258, que orientava o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que engravidam. A medida foi barrada pelo Congresso por meio de um projeto de decreto legislativo (PDL) aprovado primeiro na Câmara dos Deputados e, em seguida, no Senado em votação simbólica.

O PDL foi votado no Senado sem registro de autoria do voto, em modo simbólico, e a aprovação ocorreu em 1 minuto e 42 segundos, segundo relatos do plenário. A proposta suspende integralmente os efeitos da Resolução 258, que havia entrado em vigor em janeiro de 2025 e trazia orientações para um atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) será o autor da ação no STF, que será apresentada após a promulgação do PDL pelo Congresso. De acordo com representantes do Conanda, a ação será encaminhada majoritariamente por entidades da sociedade civil; apesar de o governo federal ter representantes no conselho, a sustentação judicial ficará a cargo de organizações civis.

A relatoria do PDL no Senado coube à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que afirmou que o Conanda extrapolou suas competências ao editar a resolução e, com isso, teria legislado em substituição ao Congresso. A presidente do Conanda, Delia Martis, disse que a entidade irá contestar esse argumento: “Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias”, afirmou Delia à GloboNews.

Ministérios como os das Mulheres e dos Direitos Humanos chegaram a se mobilizar após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciar a votação do PDL. Apesar de interlocuções com gabinenetes do Senado, equipes governamentais dizem ter sido surpreendidas pela inclusão do projeto fora da pauta. Aliados de Damares reconhecem que a votação foi facilitada pela ausência de uma ofensiva do Planalto sobre o tema, atribuindo a decisão ao risco de desgaste político no período eleitoral.

A decisão do Congresso provoca agora a disputa judicial sobre a validade das orientações do Conanda e a extensão dos poderes normativos do conselho.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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