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terça-feira, novembro 3, 2026

Governo do DF busca empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer o BRB; pontos ainda são incertos

O governo do Distrito Federal encaminhou-se para contratar, nas próximas semanas, um empréstimo estimado em até R$ 6,6 bilhões para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB). A medida surge após perdas relacionadas a operações com o Banco Master, que deixaram o BRB em crise.

O BRB, controlado pelo DF, é usado pelo Executivo local para tocar mais de 30 programas sociais, crédito habitacional e a folha de pagamento do funcionalismo distrital, o que exige que o banco permaneça alinhado às regras do sistema financeiro. Segundo o próprio banco, negociações com o Master entre 2024 e 2025 totalizaram R$ 30 bilhões e, em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um suposto esquema de fraudes nessas transações.

Autorização e negociação

Na terça-feira (9), a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou por 11 votos a 9 a autorização para que a governadora Celina Leão (PP) solicite o empréstimo. Parlamentares da oposição e da base criticaram a falta de detalhes sobre a operação de crédito. No mesmo dia, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, prestou esclarecimentos no Senado sobre a crise e descreveu a modelagem apresentada pelo DF, ressaltando, porém, que quem define as condições é o credor.

Termos propostos e mediação

A modelagem divulgada pelo DF e pelo BRB prevê: parcela única de R$ 6,6 bilhões; carência de 18 meses (primeira parcela em 2028); juros de IPCA + 4,5% ao ano; e quitação em 180 parcelas mensais (15 anos). Com esses termos, o presidente do BRB estimou que a primeira prestação ficaria em torno de R$ 95,6 milhões mensais, a partir de 2028, e que o banco poderá retomar lucratividade anual na casa de R$ 1 bilhão para contribuir com a quitação.

Pontos ainda indefinidos

Até a manhã de quarta-feira (10), detalhes operacionais permaneciam sem definição: nem o governo do DF, nem o BRB, nem o FGC haviam fechado como será operacionalizado o empréstimo nem a origem precisa dos pagamentos ao longo das próximas décadas. Entre as questões ainda em aberto estão o custo total do crédito, o ritmo exato de amortização, a capacidade orçamentária do DF para arcar com parcelas mensais estimadas em quase R$ 100 milhões e eventuais cortes necessários no orçamento.

Também não há definição sobre o montante que o BRB poderá devolver ao DF com sua recuperação, nem se executivos responsabilizados serão obrigados a ressarcir perdas e se esses valores seriam aplicados no pagamento do empréstimo. Cálculos apresentados pela oposição indicam que o custo anual apenas com juros poderia ultrapassar R$ 1 bilhão, estimativa sobre a qual o governo e o banco não responderam ao g1.

Enquanto a negociação segue sob monitoramento de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, a modelagem final do crédito dependerá do aval dos bancos garantidores e das condições que o mercado aceitar.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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