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31/12/2025 — Durigan diz que governo avalia vetar renegociação de dívidas rurais caso projeto passe na Câmara

Governo pode vetar ou recorrer ao STF se Câmara aprovar projeto que cria linha de crédito rural, afirma ministro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo analisa a possibilidade de vetar ou levar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta que institui uma linha especial de crédito para renegociação de dívidas de produtores rurais, caso o texto seja aprovado pela Câmara dos Deputados. A medida já recebeu aprovação no Senado, mas, por ter sido alterada, precisa voltar à Câmara antes de seguir à sanção presidencial.

Segundo Durigan, o impacto financeiro da proposta não é compatível com as contas públicas e, por isso, partes do projeto precisam ser revistas na Câmara ou, em última instância, ser alvo de veto. O ministro afirmou que a equipe do Executivo avaliará com método e diálogo a resposta a eventual aprovação, e que o objetivo do governo é ajudar produtores que comprovem perdas, evitando beneficiar quem não precisa.

O texto aprovado no Senado prevê benefícios a produtores afetados por eventos climáticos extremos e por impactos econômicos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. A inclusão da proposta na pauta de votação do plenário foi conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mesmo sem o apoio formal do governo.

O projeto prevê uso de recursos do Fundo Social, criado a partir das receitas do petróleo do pré-sal, para subsidiar os contratos. As taxas de juros seriam escalonadas conforme o porte do produtor: 3,5% ao ano para agricultores do Pronaf e pequenos produtores; 5,5% ao ano para participantes do Pronamp e médios produtores; e 7,5% ao ano para os demais produtores rurais.

Os financiamentos seriam operacionalizados pelo BNDES, com limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e até R$ 50 milhões para associações e cooperativas. O prazo de pagamento proposto é de 10 anos, com carência de três anos, e as linhas abrangeriam operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização, além de Cédulas de Produto Rural (CPR) e débitos com cerealistas, cooperativas, fornecedores e insumos. Durante o período de contratação, o projeto suspende cobranças judiciais e administrativas das dívidas abrangidas e garante ao produtor o direito de pedir revisão do cálculo dos encargos sem sofrer restrições em cadastros de crédito.

O Ministério da Fazenda estimou que, se todos os aptos aderirem ao refinanciamento, o custo financeiro para o Tesouro pode atingir R$ 140 bilhões nos próximos anos, o que elevaria a dívida pública. O relator no Senado, Renan Calheiros, afirma que o impacto será menor, estimado em R$ 120 bilhões ao longo de dez anos. A proposta também prevê que possam ser usados recursos de fundos regionais como o FNO, FNE e FCO, além do Funcafé, para implementar as medidas.

Antes da votação no Senado, o ministro Durigan se reuniu com o presidente do Senado para tentar evitar a inclusão de pautas com elevado custo fiscal. Após a aprovação, o projeto retornará à Câmara para nova deliberação. O texto determina que o Poder Executivo apresente ao Congresso, em até 180 dias após o prazo final de contratação, um relatório com os valores e operações efetivamente contratados.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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