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terça-feira, novembro 3, 2026

Trump diz “Eu amo a inflação” após dados mostrarem alta de preços mais rápida em 3 anos nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (10) que “ama a inflação” ao comentar dados oficiais que mostram que os preços ao consumidor subiram no ritmo mais acelerado em três anos. O Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 4,2% em maio na comparação anual, acima dos 3,8% registrados em abril.

Segundo o presidente, a alta foi influenciada pelo aumento dos custos de energia em consequência do conflito envolvendo EUA e Israel no Irã. “Eu amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que eu realmente amo? Eu amo a inflação”, declarou Trump na Casa Branca, acrescentando que a inflação irá “cair como uma pedra” quando a guerra terminar.

Na mesma quarta-feira, militares dos EUA realizaram bombardeios contra o Irã. Trump também afirmou que forças norte-americanas conduziram operações noturnas para retirar “milhões de barris” de petróleo do Irã, movimento que, segundo ele, ajudou a provocar uma leve queda nos preços. Ele disse, ainda, que quando o conflito acabar “você verá o [preço do] petróleo cair para onde estava antes”. O petróleo Brent, principal referência global, permanece cotado bem acima dos níveis anteriores ao início da guerra.

Mais tarde, em entrevista ao New York Post, Trump afirmou que seus comentários foram tirados de contexto e que queria dizer que a inflação está “muito mais baixa do que o previsto”, apesar do conflito no Irã.

O avanço de maio marcou o terceiro mês seguido de alta no CPI, com consumidores sentindo os efeitos do confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã. Em termos históricos, a inflação atual ainda está bem abaixo do pico de 9,1% alcançado em meados de 2022 durante o governo de Joe Biden, mas mantém-se como questão política relevante na véspera das eleições legislativas de novembro.

Os dados do BLS apontaram elevações também em passagens aéreas, cuidados pessoais e médicos, lazer e comunicação. Contas de energia — incluindo gás e eletricidade — ficaram quase 25% mais caras em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, com a gasolina respondendo por grande parte do aumento. A associação AAA informou que o preço médio do galão de gasolina nos EUA está em US$ 4,15 (equivalente a R$ 4,73 por litro), contra US$ 2,98 (R$ 3,40 por litro) em 28 de fevereiro, data em que Trump autorizou ataques contra o Irã.

Em reação às hostilidades, o Irã fechou o estreito de Ormuz — via por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás mundial — restringindo a oferta. Economistas alertaram que, mesmo com um desfecho rápido do conflito, o fluxo normal de bens pelo estreito pode demorar até 2027 para ser totalmente restabelecido.

Para o Federal Reserve, que tem meta de inflação de 2%, a alta representa um desafio. Kevin Warsh, novo presidente do Fed, enfrenta sua primeira decisão sobre taxas de juros na próxima semana. Analistas aguardam que a taxa básica permaneça entre 3,5% e 3,75% no mês seguinte, mas alertam que inflação persistente pode forçar elevações. Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse que a alta de maio “não é grande o suficiente para fornecer munição” a defensores de aumento de juros no comitê. Já Isaac Stell, da Wealth Club, afirmou que elevar as taxas é “a conclusão mais lógica” com base nos dados recentes e nos números de emprego da semana anterior.

O comentário de Trump sobre a inflação foi usado por opositores políticos para criticá-lo: o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu na rede X que “o desprezo dele por vocês não tem limites”.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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