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quarta-feira, novembro 4, 2026

Frustração profissional: lições de atletas que ficaram fora da Copa

TRANSMISSÃO: YouTube | da câmera do próprio canal (YouTube)

Horas antes da convocação oficial da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, o goleiro Hugo Souza acompanhou ao vivo a lista divulgada pelo treinador italiano Carlo Ancelotti, em transmissão feita pela câmera do próprio canal no YouTube. Cercado por amigos e familiares, Hugo assistiu aos nomes anunciados — Alisson, Ederson e Weverton — e não teve seu nome chamado, embora vinha sendo convocado com frequência nos últimos meses e atravessasse um dos momentos mais consistentes da carreira.

Reações e exemplos

A repercussão da ausência foi imediata e expôs a frustração de quem vê um objetivo profissional importante não se realizar. Outro exemplo recente foi o do lateral-direito Wesley, inicialmente convocado para o torneio, que sofreu uma lesão no último amistoso da Seleção, contra o Egito, e foi cortado da competição. Nas redes sociais, Wesley escreveu que encarava a situação “de cabeça erguida” e que voltaria ainda mais forte.

Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que casos como os de Hugo e Wesley refletem situações comuns fora dos gramados: frustrações com promoções que não saem, processos seletivos longos que terminam em negativa ou investimentos profissionais que parecem não valer. A diferença é a exposição pública: no esporte, rejeições acontecem diante de milhões de pessoas.

Interpretação da rejeição

O pesquisador da USP Gustavo Drago — que participou do planejamento e monitoramento de delegações em Jogos Olímpicos em Pequim, Londres e Rio de Janeiro — observa que pessoas submetidas às mesmas pressões reagem de formas distintas. Estudos citados por ele indicam que alguns atletas interpretam ambientes adversos como ameaça, com alterações fisiológicas como aumento de cortisol, insegurança e hesitação; outros sentem estimulação competitiva, com maior intensidade e tomadas de decisão mais adequadas.

Para Drago, o sofrimento não nasce apenas da negativa em si, mas da interpretação que cada indivíduo constrói: quando a carreira é confundida com a identidade, a rejeição pode passar a ser vista como definição permanente do valor pessoal. Nesse ponto, frustração saudável e destrutiva se diferenciam — a primeira permite aprendizado e continuidade; a segunda instala uma narrativa de incapacidade.

Esporte x ambiente corporativo

O mercado de alta performance amplia o problema: muitos ambientes corporativos reproduzem pressões típicas do esporte de alto rendimento, mas sem oferecer estruturas de suporte equivalentes. Drago destaca que atletas costumam ter acompanhamento psicológico, controle de carga e períodos de descanso, enquanto trabalhadores muitas vezes convivem apenas com exigência constante, o que leva o cérebro a adotar mecanismos de autoproteção e reduz criatividade e capacidade decisória.

O sócio de Auditoria da CLA Brasil, Thiago Brehmer, ressalta que a intensidade emocional da rejeição está ligada ao investimento feito ao longo da trajetória. Segundo ele, o esporte ensina a reorganização emocional diante de cortes e derrotas, habilidade que nem sempre é cultivada nas empresas. Brehmer afirma que promoções não alcançadas, projetos recusados ou vagas perdidas podem ser vistos como parte de um processo contínuo de desenvolvimento, e que organizações que equilibrarem exigência por resultados e segurança emocional tendem a formar equipes mais resilientes.

As discussões sobre recuperação emocional e a necessidade de espaços que combinem cobrança e segurança continuam em evidência, enquanto atletas e profissionais fora da seleção reconstroem trajetórias após perdas importantes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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