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sábado, setembro 19, 2026

Nova tarifa proposta pelos EUA pode atingir mais de um terço das exportações brasileiras

Mais de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos pode sofrer elevações de tarifa caso o governo americano avance com medidas comerciais que estão em análise, aponta levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a entidade, 31,6% dos produtos exportados ao mercado norte-americano poderiam passar a ser tributados em 37,5%.

Atualmente, esses bens têm uma alíquota de 10%, de modo que a proposta representaria um acréscimo de 27,5 pontos percentuais. Além disso, outros 3,6% das exportações brasileiras para os EUA poderiam ter a taxação majorada para 12,5%, aumento de 2,5 pontos percentuais.

No total, 35,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos ficariam sujeitas às novas tarifas propostas. Considerando também medidas setoriais já vigentes amparadas na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, a parcela de produtos afetados por cobranças adicionais pode alcançar 54,1%.

Repercussão para a indústria

A CNI alerta que a imposição das tarifas adicionais tende a repercutir de forma negativa tanto para empresas brasileiras quanto para setores nos Estados Unidos. Ricardo Alban, presidente da confederação, afirmou que o aumento de barreiras pode elevar custos, reduzir competitividade e gerar insegurança para decisões de investimento, defendendo que o diálogo técnico é o caminho mais eficiente para preservar a parceria econômica entre os países.

Produtos com maior aumento

Entre os itens que a CNI apontou como possivelmente sujeitos à tarifa de 37,5% está o ferro-gusa não ligado, que registrou cerca de US$ 1,5 bilhão em exportações ao mercado americano em 2024. Outros quatro produtos listados para essa alíquota são:

  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira padrão de pinho.

Produtos que podem ter a alíquota elevada de 10% para 12,5% incluem minério de ferro e concentrados (incluindo pelotas aglomeradas), lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira destinada à dissolução.

Base das propostas e cronograma

As medidas em discussão decorrem de duas investigações divulgadas em junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A primeira, iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301, apontou práticas comerciais que o órgão considerou restritivas e propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com isenção para 1.698 códigos tarifários.

Paralelamente, investigação ligada a trabalho forçado resultou em proposta de tarifa adicional de 12,5%, com 1.655 códigos tarifários excluídos. Quando ambas as medidas incidirem sobre o mesmo item, a cobrança suplementar pode chegar a 37,5%.

As propostas ainda não entram em vigor automaticamente e passarão por etapas como consulta pública e audiências. O USTR marcou sessões públicas para os dias 6 e 7 de julho, nas quais empresas, entidades e governos poderão apresentar argumentos — também será possível enviar contribuições por escrito. A CNI vê essas fases como oportunidade para que o Brasil apresente dados técnicos e argumentos em defesa da manutenção do fluxo comercial entre os dois países.

As audiências e a decisão final do governo dos Estados Unidos ainda podem alterar o escopo das medidas e suas consequências para o comércio bilateral.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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