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sábado, setembro 19, 2026

Estudo da CNM aponta que quase

Um levantamento inédito da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que em torno de metade das prefeituras brasileiras já registram emendas impositivas apresentadas por vereadores. A pesquisa, que consultou 3,2 mil municípios, também indica que recursos previstos nessas emendas frequentemente não cobrem o custo total das obras e serviços, obrigando administrações locais a complementar os valores.

Do total de gestores ouvidos, 47% confirmaram a existência de emendas impositivas em suas cidades. A própria CNM avalia que esse percentual pode subir para 60% em um futuro próximo. Entre os entrevistados, pelo menos 44% relataram que as dotações das emendas não são suficientes para a execução dos projetos, situação que leva as prefeituras a aplicar recursos próprios. Em outro recorte da pesquisa, 52% dos prefeitos afirmaram precisar acrescentar verbas da própria gestão para viabilizar os serviços previstos.

A inclusão das emendas nas Leis Orgânicas municipais também é recorrente: 85% das prefeituras que possuem o instrumento já o formalizaram nesses textos, o que, segundo a CNM, tende a consolidar a prática localmente. Entre os fatores que explicam a insuficiência orçamentária das emendas, 53% dos gestores apontaram o fracionamento das indicações pelos vereadores sem adoção de um valor mínimo por emenda.

Emendas impositivas em Uberlândia

Em Uberlândia, a previsão de emendas impositivas foi incluída na Lei Orgânica pela Emenda Nº 039/2021, que acrescentou o artigo 110-A. Cada um dos 27 vereadores da cidade pode indicar até R$ 2,8 milhões em emendas. Para 2026, o montante total destinado aos parlamentares supera R$ 76 milhões, com a exigência de que pelo menos metade desses recursos seja aplicada em ações na área da Saúde. Para o orçamento de 2026, foram protocoladas 920 emendas pelos vereadores.

O estudo da CNM destaca ainda que a expansão das emendas tem complicações práticas: o crescimento do volume de indicações pode prejudicar o cumprimento das metas previstas no orçamento municipal. Extrapolando os resultados da pesquisa, a CNM estima a existência de emendas impositivas em cerca de 2,6 mil municípios. Em aproximadamente um terço desses entes, a soma das emendas ultrapassaria o limite aceito pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), fixado em 1,55% da Receita Corrente Líquida (RCL).

Além disso, a pesquisa apontou a presença de emendas de bancada em mais de um terço das prefeituras com previsão de emendas parlamentares — um universo que pode chegar a 915 municípios na extrapolação — e identificou que muitos desses casos já estão judicializados, com decisões aguardadas no STF.

Sobre os efeitos no financiamento municipal, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, afirma: “A existência de emendas municipais tem agravado ainda mais o subfinanciamento da esfera local, pois, além de manter intacto o duodécimo do Poder Legislativo, fragiliza a realização de políticas públicas efetivamente estruturantes. A repetição, em nível local, de mecanismo existente na esfera federal, desconsidera as assimetrias federativas e a profunda disparidade entre o excesso de arrecadação por parte da União e a histórica deficiência financeira identificada nos Municípios”.

Diante desse cenário, a Confederação pretende ampliar o debate sobre o impacto das emendas com a sociedade e com os poderes locais, buscando definir com clareza as funções essenciais do Executivo e do Legislativo e promover discussão segura sobre eficiência na execução de políticas públicas estruturantes.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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