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16/06/2026 — Reabrir o Estreito de Ormuz enfrenta obstáculos além do fim das hostilidades

Mercados veem avanço, mas remoção de minas, seguros e infraestrutura retardam retorno à normalidade

O anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, divulgado no domingo, 14 de junho de 2026, trouxe otimismo aos mercados financeiros e a promessa de reabertura do Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. Ainda assim, especialistas e autoridades avisam que voltar ao nível de tráfego pré-conflito não será imediato.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou a reabertura do estreito e chegou a escrever em sua rede social: “Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”. No entanto, entidades ligadas à segurança marítima classificaram o acordo como o começo de um processo de desescalada, e não a restauração imediata das condições normais de comércio.

O principal desafio operacional é a presença de minas navais colocadas durante as hostilidades. Se os ataques cessarem de fato, o Irã precisará localizar e remover esses artefatos. Especialistas ouvidos por agências internacionais estimam que a varredura e a retirada possam levar entre 40 e 50 dias em uma avaliação mais otimista, enquanto a empresa de dados Kpler aponta prazo de até seis meses. Após a remoção, observadores independentes deverão confirmar que a rota está segura.

Alguns países europeus, incluindo Alemanha, França, Reino Unido e Itália, manifestaram disposição para apoiar a retomada da navegação, inclusive por meio de uma missão independente focada em segurança e remoção de minas. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que Berlim só consideraria participação quando houver clareza sobre o cessar-fogo e o apoio dos dois lados à operação.

Mesmo com o estreito liberado, o custo do seguro contra riscos de guerra permanecerá elevado. Atualmente, as taxas variam entre 1% e 4% do valor da embarcação por travessia — contra menos de 0,1% antes do conflito. Para um petroleiro avaliado em 200 milhões de dólares, isso representa despesas extras entre 2 milhões e 8 milhões de dólares por travessia, ante menos de 200 mil dólares no período pré-guerra.

O apetite ao risco dos armadores também é heterogêneo: proprietários de países como Japão, Coreia do Sul e China tendem a ser mais cautelosos, enquanto operadores gregos têm maior tolerância, segundo analistas citados pela imprensa internacional. A volatilidade das taxas de seguro e a necessidade de garantias fazem com que muitas empresas aguardem sinais claros antes de retomar operações.

As instalações de produção e exportação de energia também precisam de inspeções e reparos. Alguns produtores interromperam extração por falta de capacidade de armazenamento e só retomarão quando houver segurança duradoura na rota. O economista-chefe da Capital Economics, Neil Shearing, projetou que pode levar até o fim de setembro para que cerca de 80% dos fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz sejam restabelecidos. Danos em terminais, como o de Ras Laffan, no Catar, já reduziram parte da capacidade de exportação de gás natural liquefeito, estimada em cerca de 17%.

Outra questão pendente é o que significa, concretamente, manter o Estreito “aberto”. O Irã reivindicou o direito de cobrar taxas de trânsito e, em ocasiões anteriores, já exigiu pagamentos para liberar embarcações. Trump afirmou em sua rede social que o acordo prevê “abertura sem cobrança de pedágio”, mas o governo iraniano fala em “taxas de serviço” e em manter controle conjunto da via com Omã. O pagamento a entidades iranianas, caso implique repasse ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, conflita com sanções do Departamento do Tesouro dos EUA, que designa a guarda como organização sujeita a restrições.

Especialistas em direito apontam ainda que permitir controle efetivo do tráfego pelo Irã poderia violar normas internacionais sobre liberdade de navegação previstas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. A área em disputa no estreito é compartilhada entre águas territoriais do Irã ao norte e de Omã ao sul.

Finalmente, o próprio acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã é considerado frágil e parcial, sem texto público, deixando em aberto temas mais amplos — como ambições nucleares de Teerã, alívio de sanções e apoio iraniano a grupos regionais — que podem colocar em risco a paz e, consequentemente, a normalização do tráfego em Ormuz. O governo de Israel já afirmou não estar vinculado ao entendimento, enquanto o Irã disse que o acordo abrange também o conflito no Líbano, o que amplia as incertezas sobre a estabilidade necessária para a rota voltar ao normal.

Enquanto isso, autoridades, operadores e seguradoras seguem acompanhando os desdobramentos e condicionam movimentos práticos à verificação da segurança, à retirada das minas, à estabilização das condições políticas e à recomposição das cadeias logísticas para o transporte de petróleo e gás.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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