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terça-feira, novembro 3, 2026

Colômbia reduz jornada para 42 horas e registra baixa histórica no desemprego enquanto empresas se adaptam

O que: A Colômbia vai passar a ter uma jornada máxima de 42 horas semanais para trabalhadores assalariados a partir de 15 de julho, completando uma redução de seis horas que foi implantada ao longo de cinco anos desde a aprovação da lei em 2021.

Quem e quando: A medida, aprovada durante o governo do ex-presidente Iván Duque (2018-2022) e complementada por mudanças da gestão de Gustavo Petro, entra em vigor em 15 de julho. Em 2025, o governo de Petro elevou o salário mínimo em 23,7% e ampliou o período usado no cálculo do adicional noturno, medidas que, juntas, impactaram a remuneração dos trabalhadores.

Onde: As alterações valem para a Colômbia, país vizinho do Brasil, que registra atualmente uma taxa de desemprego em nível historicamente baixo.

Como: Além da redução gradual da jornada, a legislação colombiana introduziu maior flexibilidade de horários: empresas e empregados podem acordar variações na distribuição diária de horas, e empregadores podem escolher o dia semanal de folga, que não precisa ser necessariamente sábado ou domingo. Também ficaram sem obrigatoriedade o chamado “dia da família” semestral e duas horas semanais de atividades culturais ou formativas em empresas maiores.

Impactos no mercado: Entidades empresariais relatam efeitos variados. A Fenalco, que ouviu 610 empresários em 25 cidades, indicou que 51% das empresas passaram a encerrar atividades mais cedo, 25% aceleraram automação e 23% repassaram custos aos preços. Setores com horários estendidos — varejo, bares, restaurantes, hotelaria e vigilância privada — aparecem como os mais afetados. A federação afirmou ainda que 64% dos entrevistados reduziram o quadro de funcionários e 80% alteraram planos de contratações futuras; dados preliminares também apontam redução na abertura de novas empresas em 2026.

Por outro lado, observadores como o economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, afirmam que, apesar do aumento dos custos unitários por trabalhador, o mercado de trabalho colombiano não sofreu efeitos negativos generalizados e o emprego assalariado do setor privado tem crescido há vários meses. Farné participou das discussões no Congresso sobre as reformas trabalhistas.

Estudo da Corficolombiana estimou que 787 mil vagas foram criadas entre 2022 e 2025 para compensar a redução de horas, ao mesmo tempo em que apontou queda de produtividade por distribuir o mesmo volume de trabalho entre mais pessoas.

Comparação com o Brasil e outros exemplos: No Brasil, a proposta em discussão prevê redução de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1; a sugestão brasileira previa uma transição em duas etapas (primeiro para 42 horas após 60 dias e depois para 40 horas após um ano). O professor Bruno Ottoni (Uerj) considerou esse prazo curto para adaptação. Farné ressalta a importância da gradualidade e lembra que experiências como a do Chile — que iniciou em 2024 a transição de 45 para 40 horas até 2028, após uma reforma de 2023 — mostraram efeitos empíricos geralmente pequenos. Estudos chilenos apontam que empresas aproveitaram o período de transição para ajustar processos e evitar demissões em larga escala.

As mudanças na Colômbia ilustram um movimento regional e global em que redução de jornada e maior flexibilidade são combinadas para mitigar impactos econômicos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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