O cinema brasileiro celebra avanços e confronta desafios na data do Dia do Cinema Nacional, comemorado nesta sexta-feira (19). A presença recente de obras nacionais em festivais internacionais e na cerimônia do Oscar trouxe maior visibilidade às produções brasileiras e renovou o interesse público pelas histórias filmadas no país.
Trajetória e reconhecimentos
A trajetória da produção audiovisual no Brasil é marcada por períodos de destaque que nem sempre foram convertidos em estruturas industriais permanentes, segundo a atriz e diretora Eliana Fonseca. Ela aponta que o país nunca valorizou o audiovisual como uma indústria capaz de gerar empregos e movimentar a economia, apesar de filmes nacionais terem alcançado prestígio internacional ao longo das décadas.
Casos recentes reforçam essa presença global: Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 e ganhou anteriormente o prêmio equivalente no Sindicato dos Roteiristas e Produtores dos Estados Unidos (WGA). O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, também teve indicação ao Oscar, evidenciando a atratividade do cinema brasileiro para júris e platéias além das fronteiras.
Obras e referências
Eliana elenca títulos que marcaram diferentes fases do cinema nacional: Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Central do Brasil, Cidade de Deus, Carlota Joaquina e O Pagador de Promessas. Essas obras ilustram a evolução estética e social do setor.
Como nascem os filmes e obstáculos
A cineasta Vitória Teixeira descreve o processo de criação como resultado de uma necessidade de expressão e de referências pessoais. Ela observa que o mercado atual se divide entre produções sob encomenda para plataformas de streaming e projetos independentes nas mãos de realizadores que acompanham todas as fases da obra.
Vitória destaca o financiamento como um dos principais entraves: custos com equipes, equipamentos, logística e demais itens tornam o audiovisual caro. Por isso, editais e programas de fomento são vistos como fundamentais para ampliar o acesso de realizadores que não têm respaldo financeiro.
Além da captação de recursos, a cineasta ressalta a dificuldade de levar os filmes ao público, defendendo a ocupação de espaços fora do circuito tradicional — como escolas, projetos culturais e comunidades — para ampliar o alcance das produções.
Mulheres atrás das câmeras
Vitória também chama a atenção para as barreiras enfrentadas por mulheres no setor, sobretudo em áreas técnicas como fotografia e edição, em que a presença feminina ainda é reduzida. Segundo ela, o machismo estrutural e a escassez de oportunidades para quem não integra os círculos tradicionais dificultam a entrada e a permanência na profissão.
Da periferia ao exterior
Natural da Brasilândia, em São Paulo, Vitória iniciou o envolvimento com o audiovisual em um curso gratuito em 2019. Posteriormente, o coletivo “Várias Fita”, que ajudou a criar, teve trabalhos exibidos em diversos festivais e chegou a representar o Brasil em um evento da ONU no Egito. Esse percurso inclui intercâmbios e participações em projetos nacionais e internacionais.
Seleções e marcos históricos
O crítico Vinícius Lemos preparou uma lista de cinco filmes essenciais para entender o cinema brasileiro contemporâneo e histórico. Entre os títulos citados estão Limite (1931), Ilha das Flores (1989), O Pagador de Promessas (1962), Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025) — ambos destacados como exemplos do atual momento — e Cidade de Deus (2002). A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) também divulgou um ranking no qual aparecem Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, Cabra Marcado para Morrer e Terra em Transe entre os mais importantes.
Apesar dos avanços, o setor encara o desafio de transformar reconhecimento internacional em estrutura, com mais investimento, distribuição e formação de público, além de abrir espaço para novas vozes e diversidade de olhares no audiovisual brasileiro.
Com informações de Paranaibamais




