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terça-feira, novembro 3, 2026

Por que a economia dos EUA segue à frente de rivais apesar das turbulências do governo Trump

Economia americana mantém desempenho superior mesmo com choques recentes

Mesmo diante de uma sequência de choques globais atribuídos em parte às políticas do governo de Donald Trump, a economia dos Estados Unidos tem mostrado maior resiliência do que muitos concorrentes. Entre os exemplos citados por economistas estão o fechamento, no ano passado, da chamada “Fábrica Transparente” da Volkswagen em Dresden, na Alemanha, e a operação, em Spartanburg (Carolina do Sul), da maior fábrica mundial da BMW — contrastes que ilustram mudanças na geografia da indústria.

Tarifas comerciais impostas por Trump, deportações em massa que alteraram o mercado de trabalho e o aumento dos preços do petróleo em razão do conflito no Oriente Médio foram esperados por analistas como fatores capazes de desacelerar fortemente os EUA. Em vez disso, o país manteve crescimento estável, com inflação oscilando, mas sem apresentar o quadro temido de baixo crescimento combinado com alta persistente de preços.

Joe Brusuelas, economista-chefe da consultoria britânica RSM, atribui parte dessa resistência à própria política comercial e migratória adotada pelo governo americano. Segundo ele, a guerra comercial forçou empresas a reforçar investimentos em vez de simplesmente aceitar queda de margens — o investimento de capital chegou a 13,9% do PIB americano. Ao mesmo tempo, a produtividade aumentou, mantendo a expansão da economia em torno de 2% ao ano.

Outro elemento relevante foi a transformação do setor energético. A revolução do petróleo de xisto, por meio do fracking, e a difusão de combustíveis alternativos elevaram a produção doméstica de petróleo e gás, reduzindo a vulnerabilidade dos EUA a choques nos preços da energia. Brusuelas aponta que, nas últimas cinco décadas, a contribuição do petróleo ao PIB por unidade de energia caiu pela metade.

O contraste com a Europa é apontado por especialistas. Enquanto os Estados Unidos aproveitaram a flexibilidade do mercado e o aumento da produção interna, vários países europeus continuam dependentes de contratos de longo prazo e de redes interconectadas de fornecimento, o que os deixou expostos a interrupções, como as vividas após a redução do gás russo.

Rebecca Christie, pesquisadora do centro Bruegel, em Bruxelas, afirma que além de diferenças políticas há divergências culturais sobre o risco: os americanos seriam mais inclinados a assumir riscos imediatos visando ganhos futuros, ao passo que a Europa demonstraria maior aversão ao risco. Essas posturas se refletem também em estruturas financeiras: empresas europeias dependem mais de crédito bancário e sistemas de pensão vinculados a contratos, enquanto empresas nos EUA recorrem com mais facilidade a mercado acionário e capital de risco.

Christie adverte, contudo, que a força macroeconômica dos EUA não elimina problemas sociais: o país convive com elevada desigualdade, pressão sobre custos de vida e crises habitacionais em várias cidades. Esses fatores podem, no futuro, comprometer a vantagem atual.

Até o momento, os sinais contraditórios se acumulam: em maio, os empregadores nos Estados Unidos criaram 172 mil vagas, superando expectativas, mas a inflação anual subiu para 4,2% em maio, ante 3,8% em abril — indicadores que apontam para o possível limite da resiliência americana. Pressões como preços altos de combustíveis, inflação persistente e aumento da desigualdade representam riscos que podem reduzir a vantagem relativa do país.

Na comparação com outras nações desenvolvidas, porém, a combinação de mercados mais flexíveis, níveis elevados de investimento, oferta energética ampliada e maior tolerância ao risco tem permitido que os Estados Unidos suportem impactos que afetaram competidores.

O futuro deverá revelar até que ponto esses fatores conseguirão sustentar o desempenho econômico diante das múltiplas pressões em curso.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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