FMI alerta que efeitos sobre a economia global variam conforme duração do conflito
O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dan Katz, afirmou que o efeito da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial vai variar de acordo com o tempo de duração do conflito e com a extensão dos danos à infraestrutura e às atividades produtivas da região. Segundo ele, o impacto será especialmente sensível caso a elevação nos preços da energia seja temporária ou se persistir por período prolongado.
Katz ressaltou que, se a incerteza permanecer e os preços de combustíveis ficarem elevados por mais tempo, os bancos centrais deverão adotar uma postura cautelosa e avaliar os desdobramentos antes de tomar decisões de política monetária. O FMI ainda considera cedo para mensurar com precisão a magnitude do choque, mas aponta riscos sobre indicadores como inflação e crescimento.
Antes da escalada recente, o Fundo projetava crescimento econômico global de 3,3% para 2026, sustentado, entre outros fatores, por investimentos em inteligência artificial e pela expectativa de ganhos de produtividade. A instituição passou a acompanhar de perto possíveis consequências imediatas sobre o comércio internacional, a atividade econômica, os preços da energia e a volatilidade nos mercados financeiros.
Além dos efeitos globais, o FMI avalia impactos diretos na região afetada, entre eles danos a infraestrutura e interrupções em setores relevantes como turismo, transporte aéreo e, de forma mais crítica, o setor energético. Na terça-feira, o preço do petróleo voltou a subir depois que o Irã ameaçou atacar navios no Estreito de Ormuz; o barril do Brent alcançou US$ 83, cerca de 15% acima do nível registrado na sexta-feira anterior.
De acordo com Katz, se a alta dos preços de energia for de curta duração, os bancos centrais tendem a não reagir de imediato, pois costumam priorizar medidas relacionadas à inflação subjacente, que exclui componentes mais voláteis. Por outro lado, se o choque se prolongar e começar a alterar as expectativas de inflação, isso pode levar a ajustes na política de juros.
O executivo também lembrou que a reprise inflacionária de 2022, após a pandemia, foi influenciada pelo aumento nos preços de energia vinculado à guerra na Ucrânia, o que acabou pressionando outros preços na economia.
Com informações de G1




