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quarta-feira, novembro 4, 2026

23/01/2026 — Japão, adversário do Brasil, carrega um enigma econômico de 30 anos

Japão avança na Copa e traz à tona desafios econômicos antigos

Depois de vencer a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira enfrentará o Japão em 23/01/2026, em partida cuja transmissão será feita pela Band. Fora dos estádios, o país chega à segunda fase carregando um dos casos mais estudados da economia global: uma combinação de grande capacidade tecnológica e três décadas de crescimento modesto.

O Japão é a quarta maior economia do mundo e segue entre líderes em inovação e produção de bens de alta tecnologia, mas convive com décadas de expansão econômica lenta, inflação persistentemente baixa e problemas demográficos que pressionam o mercado de trabalho e as contas públicas.

Segundo Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), esse quadro começou após o estouro das bolhas imobiliária e acionária entre meados dos anos 1980 e início dos anos 1990. Desde então o país passou por longo período de baixo crescimento e episódios de deflação. O termo “Japanificação” é usado por economistas para descrever economias com crescimento fraco e inflação cronicamente baixa.

Nos últimos meses houve mudanças: a inflação retornou a níveis mais próximos da meta do Banco do Japão (BoJ) e a autoridade monetária abandonou os juros negativos. A taxa básica está em 1% ao ano. “Pela primeira vez, desde que o envelhecimento populacional se acelerou no início dos anos 1990, o Japão pode ter um caminho plausível para desenvolver pressões sustentadas de salários e preços impulsionadas internamente”, afirmou Kirkegaard.

Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, participou de coletiva após reunião de política monetária em Tóquio em 23 de janeiro de 2026.

Desafio demográfico e fiscal

O país enfrenta mudanças demográficas profundas: a OCDE estima que quase 30% da população terá mais de 65 anos em 2026 e a taxa de fertilidade permanece em torno de 1,2 filho por mulher. Com menos pessoas em idade ativa, o potencial de crescimento é limitado e aumentam os custos públicos com aposentadorias e saúde.

A dívida pública japonesa segue entre as maiores do planeta. Apesar de uma trajetória de queda gradual, o Fundo Monetário Internacional projeta que ela permanecerá acima de 200% do PIB em 2026. Parte dessa expansão do endividamento reflete a opção do governo por financiar gastos sociais — em vez de realizar ajuste fiscal mais intenso ou elevar substancialmente a carga tributária.

Indústria avançada, serviços em ritmos diferentes

O Japão mantém taxa de desemprego baixa — 2,5% em abril — e um PIB per capita estimado em cerca de US$ 35,7 mil pelo FMI. No ranking de inovação, segundo o Global Innovation Index 2025 da WIPO, está na 12ª posição. Em 2023 destinou 3,44% do PIB — cerca de US$ 145 bilhões — a pesquisa e desenvolvimento.

Pesquisadores destacam um “quebra-cabeça econômico”: apesar de liderar o Índice de Complexidade Econômica desde 1981 e de avanços industriais, o crescimento médio anual do país tem sido próximo de 1% nas últimas três décadas. A indústria manufatureira melhorou produtividade e inovação, enquanto serviços voltados ao mercado doméstico — como saúde, comércio e hotelaria — evoluíram mais lentamente.

Com um mercado interno encolhendo e envelhecido, muitas empresas japonesas passaram a investir no exterior, ampliando receitas com propriedade intelectual, pesquisa e dividendos de subsidiárias. O economista Kyoji Fukao, da Universidade Hitotsubashi, aponta que ganhos de produtividade não foram igualmente disseminados entre setores, e que práticas de gestão mais eficientes demoraram a se tornar predominantes nos serviços.

Esse conjunto de fatores — demografia, padrão de inovação e escolhas fiscais — define o desafio econômico que acompanha o Japão enquanto a seleção segue na Copa do Mundo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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