O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, que Moscou pode interromper o fornecimento de gás à Europa em razão da elevação dos preços de energia provocada pela crise com o Irã. Segundo o chefe do Kremlin, a possibilidade está ligada também ao projeto da União Europeia de proibir compras de gás russo por gasoduto e restringir novos contratos de GNL a curto prazo.
Putin atribuiu a alta nos preços do petróleo à “agressão contra o Irã” e às sanções ocidentais sobre o petróleo russo, e disse que os preços do gás na Europa subiram porque compradores passaram a aceitar volumes a valores superiores após os eventos no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz. Ele fez as declarações em resposta a pergunta do correspondente do Kremlin Pavel Zarubin, durante participação em canal estatal, de acordo com transcrição divulgada pelo próprio governo russo.
O presidente destacou que, diante da abertura de novos mercados e da disponibilidade de clientes dispostos a pagar mais, pode ser economicamente vantajoso para a Rússia interromper o abastecimento europeu para redirecionar vendas. “Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que se chama de reflexão em voz alta”, disse Putin, acrescentando que vai instruir o governo a estudar a questão em conjunto com empresas do setor.
Especialistas em energia observam que os preços do petróleo e do gás subiram após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, seguidos por contra-ataques iranianos contra países do Golfo. O conflito chegou a paralisar a navegação no Estreito de Ormuz e motivou a interrupção da produção de GNL no Catar e da maior refinaria da Arábia Saudita, ações que pressionaram o mercado global de combustíveis.
A Rússia possui as maiores reservas de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador de petróleo. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, Moscou perdeu parcela significativa do mercado europeu, que foi ocupada por Noruega, Estados Unidos e Argélia. A União Europeia informa que a participação russa no gás entregue por gasodutos caiu de cerca de 40% para 6% no ano passado.
Putin ressaltou que a Rússia se considera fornecedora confiável e afirmou que compradores com disposição a pagar preços mais elevados surgiram em função dos acontecimentos no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. Ele também previu que alguns fornecedores tradicionais, incluindo empresas americanas, podem se retirar do mercado europeu em busca de clientes que paguem mais. Em paralelo, Moscou tem intensificado vendas para a China, o maior importador mundial de energia, e manteve que continuará a trabalhar com parceiros considerados confiáveis, como Eslováquia e Hungria.
Com informações de G1




