26.6 C
Uberlândia
terça-feira, outubro 27, 2026

22/06/2026 — Haaland celebra vaga da Noruega com capacete viking; acessório, porém, é anacronismo histórico

Haaland usa capacete com chifres após jogo que classificou Noruega às oitavas

Erling Haaland vestiu um capacete com chifres para comemorar a vitória que garantiu a classificação da Noruega às oitavas de final da Copa do Mundo, em partida realizada em 22/06/2026. A imagem do atacante usando o acessório circulou amplamente após o duelo que levou a equipe norueguesa à próxima fase.

O símbolo — o capacete com chifres — é amplamente identificado com os vikings na cultura popular, mas historiadores e especialistas afirmam que trata-se de uma representação tardia e equivocada. Segundo Johnni Langer, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e integrante do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, a associação entre guerreiros nórdicos e este tipo de capacete surgiu séculos depois da Era Viking, por efeito de escolhas artísticas e narrativas românticas.

Na Escandinávia da Idade Média, o termo “viking” não nomeava um povo específico, mas uma atividade: saque e expedições marítimas realizadas por indivíduos de diferentes regiões. Com o passar do tempo, porém, a palavra passou a ser vinculada aos habitantes das áreas que hoje correspondem à Noruega, Dinamarca e Suécia.

O uso do chifre como adereço decorre de convenções artísticas a partir do século XVIII, quando imagens de guerreiros germânicos usando capacetes com chifres circularam pela Europa. Obras como a gravura “Frithiof på havet”, de Lorenz Frølich, e as óperas de Richard Wagner ajudaram a difundir essa iconografia, que se consolidou ao longo do século XIX e alcançou depois os Estados Unidos e o Brasil.

Langer observa que, historicamente, os chifres tinham conotações diferentes das que hoje lhes são atribuídas — eram ligados a ideias de força e poder masculino — e que a imagem foi apropriada no contexto do Romantismo e de estados que buscavam exibir caráter marcial.

Também há equívocos sobre a aparência e os costumes dos povos nórdicos. Não havia um único “tipo físico viking”: havia variação de estatura, cor de cabelo e origem, inclusive casamentos interétnicos com populações de outras regiões, como algumas da Sibéria e da Ásia, segundo o pesquisador.

A chamada “remada viking”, coreografia que viralizou entre torcedores noruegueses e se tornou marca nas arquibancadas no Mundial, também é uma invenção recente. Remar era parte da prática naval dos vikings, mas não há registros de que movimentos sincronizados de remada fossem usados como celebração ou ritual. A coreografia atual foi criada em março de 2026 pelo professor norueguês Ole Frøystad, testada num amistoso contra a Suíça e depois divulgada por torcidas organizadas por meio de vídeos, tornando-se popular entre os fãs durante a competição.

A adoção do capacete com chifres por torcedores e por figuras públicas, como Haaland, reforça uma imagem construída pela arte e pela cultura popular, mas que não corresponde ao uso histórico documentado pelos povos nórdicos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também