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segunda-feira, setembro 21, 2026

Geração Canguru: alta de preços e juros adiam saída de jovens de casa

O sonho da casa própria permanece entre os planos da Geração Z, mas fatores como juros elevados, valorização dos imóveis e dificuldade para formar a entrada têm levado muitos jovens a postergar a compra e a permanecer por mais tempo na residência dos pais — fenômeno chamado de “Geração Canguru”.

Pesquisa aponta limitações financeiras

Levantamento da Ipsos, encomendado pelo QuintoAndar, indica que 47% dos jovens da Geração Z afirmam não ter condições financeiras para dar entrada ou financiar um imóvel. Outros 30% apontam o alto preço dos imóveis como principal barreira e 21% citam os juros elevados.

Relatos de Uberlândia

Em Uberlândia, casos semelhantes mostram caminhos distintos entre os jovens. Vinicius Arguejos, 24 anos, formado em Gestão da Informação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), avaliou opções de financiamento, mas decidiu não seguir adiante. Ele relata que o problema não foi apenas juntar a entrada, mas assumir parcelas em um cenário de taxas altas.

Vinicius afirma que imóveis mais acessíveis costumam ficar em áreas ainda em desenvolvimento e que não há garantia de valorização. Apesar de ter reservado o valor da entrada, o jovem concluiu que usar quase toda a reserva de emergência tornaria a operação inviável. Por enquanto, ele mora com os pais e planeja a mudança quando a namorada encerrar a faculdade.

Quem conseguiu comprar

Por outro lado, há quem tenha antecipado a aquisição. O estudante de Sistemas de Informação Pedro Henrique, 24 anos, financiou um apartamento aos 23. O imóvel custou cerca de R$ 245 mil e o casal deu entrada de R$ 5 mil, montante reunido em aproximadamente três meses.

Pedro conta que ele e a namorada já tinham o hábito de poupar parte da renda mensal, o que facilitou a compra. O financiamento foi obtido sem ajuda da família e as parcelas foram divididas entre os dois, tornando o pagamento compatível com o orçamento. Na visão do jovem, programas habitacionais e linhas de crédito ainda viabilizam a compra para quem mantém organização financeira.

Mudança no perfil da moradia

Os relatos individuais coincidem com tendências nacionais. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que o número de brasileiros morando em imóveis alugados subiu de 35 milhões em 2016 para 48,7 milhões em 2025 — acréscimo de mais de 11 milhões. No mesmo período, quem vive em residência própria caiu de 137,9 milhões para 129,8 milhões.

Outro indicador é o aumento da permanência na casa dos pais: atualmente, cerca de um em cada quatro brasileiros entre 25 e 34 anos ainda vive com a família, porcentual maior do que há pouco mais de uma década.

Crédito imobiliário e custos

O encarecimento do financiamento também pesa. Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, os principais bancos praticam juros entre 11% e 12% ao ano, além da Taxa Referencial (TR), o que eleva o valor das parcelas e a renda exigida para aprovação. Além disso, as instituições costumam financiar entre 65% e 70% do imóvel, deixando ao comprador a necessidade de cobrir o restante e despesas como escritura, registro em cartório e ITBI.

Para muitos jovens, diante desse cenário, permanecer na casa dos pais ou recorrer ao aluguel deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade financeira.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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