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11/06/1580 — Colônia contra metrópole: a história por trás de Argentina e Espanha, que se enfrentam na final da Copa do Mundo

Transmissão: Band | Record

A final da Copa do Mundo que reúne Argentina e Espanha tem raízes históricas que remontam aos primeiros séculos de colonização europeia na América do Sul. A relação entre os dois países foi forjada por interesses ligados à exploração de metais, à organização territorial e às distâncias que separavam as administrações coloniais — processos que ajudaram a moldar cidades, rotas comerciais e hierarquias sociais.

Os primeiros contatos europeus com a região datam do início do século 16: Juan Díaz de Solís navegou pelo Rio da Prata em 1516 e a expedição de Fernão de Magalhães aportou em San Julián anos depois. O primeiro posto permanente, o forte Sancti Spiritus, surgiu em 1527 às margens do Paraná, mas foi logo abandonado. Buenos Aires foi fundada por Pedro de Mendoza em 1536, mas enfrentou escassez de recursos e conflitos com povos locais, levando ao abandono em 1541 e ao recuo dos colonizadores para Assunção.

O fator que transformou o interesse espanhol pela região foi a descoberta de Potosí, no Alto Peru, no século 16. A montanha rica em prata tornou necessário abrir uma saída atlântica para escoar o metal andino, impulsionando a colonização do sul do continente e a fundação de portos e cidades que ligassem a produção mineral à metrópole.

O povoamento do que hoje é a Argentina ocorreu por três eixos distintos, segundo a historiografia local: a corrente do norte, descendente do Alto Peru, que gerou cidades como Santiago del Estero (fundada em 1553), San Miguel de Tucumán, Córdoba, Salta e San Salvador de Jujuy; a corrente do oeste, vinda do Chile, que originou Mendoza, San Juan e San Luis; e a corrente do leste, ligada a Assunção, que formou núcleos ribeirinhos como Santa Fé, Corrientes e a segunda fundação de Buenos Aires por Juan de Garay em 11 de junho de 1580.

Ao contrário do modelo agrícola britânico na América do Norte, a colonização espanhola apostou em centros urbanos organizados pelo traçado do damero em torno de praças centrais. Essa opção resultou em um território com grandes vazios nas regiões do Chaco, Pampas e Patagônia, áreas que permaneceram sob a autonomia de povos indígenas até o século 19.

A ocupação e a reprodução econômica colonial dependeram fortemente do trabalho indígena. Sistemas como as encomiendas e a mita vincularam populações nativas à coroa, enviando trabalhadores para as minas de Potosí e impondo tributos em trabalho ou em espécie. A resistência dos povos originários variou conforme contextos locais, chegando a provocar a destruição de cerca de um terço das cidades fundadas pelos espanhóis e longa repressão, como a dirigida aos diaguitas nos vales Calchaquíes.

Houve, porém, iniciativas distintas: a bula papal Sublimis Deus, de 1537, reconheceu os indígenas como humanos e cristãos, e a Companhia de Jesus promoveu missões entre os guaranis nos séculos 17 e 18 até sua expulsão em 1767.

Do ponto de vista administrativo e econômico, a região ganhou importância com as reformas borbônicas: em 1776 o rei Carlos 3º criou o Vice-Reinado do Rio da Prata e, em 1778, autorizou o comércio legal do porto de Buenos Aires com outros portos do império, invertendo fluxos comerciais e fortalecendo a cidade como centro regional.

Cinco séculos após esses processos históricos, Argentina e Espanha voltam a se encontrar no campo —desta vez em uma final de Copa do Mundo. Entre os nomes em destaque para o confronto estão Lionel Messi e Lamine Yamal; a Espanha busca o segundo título após 2010, e a Argentina, atual campeã e tricampeã, tenta o quarto troféu. Este duelo marca a primeira vez que as duas seleções decidem um Mundial entre si, em 14 confrontos anteriores sem final e com único encontro em Copas registrado na fase de grupos de 1966.

As raízes coloniais, que definiram rotas de prata, cidades e uma geografia do poder, contrastam hoje com a disputa esportiva que se resolve em 90 minutos —e tem transmissão pela Band e pela Record.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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