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terça-feira, setembro 22, 2026

23/07/1982: moratória da caça comercial mudou o destino das baleias e permitiu recuperação

Uma decisão tomada em 23 de julho de 1982 pela Comissão Baleeira Internacional (CBI) interrompeu a caça comercial de grandes baleias e abriu caminho para a recuperação de várias espécies que estavam à beira da extinção. A moratória, aprovada naquela data, entrou em vigor na temporada 1985/1986 e estabeleceu cota zero para a captura comercial.

A votação que aprovou a proposta apresentada pelas Seychelles terminou com 25 votos favoráveis, sete contrários e cinco abstenções, alcançando a maioria qualificada exigida pela CBI. A medida foi resultado de anos de pressão de cientistas, governos e organizações ambientalistas, como o Greenpeace.

Impacto histórico da caça

A caça às baleias, que ganhou caráter industrial entre os séculos XIX e XX com navios-fábrica e canhões-arpão, levou ao abate de milhões de animais. Estima-se que mais de 2,9 milhões de baleias foram mortas entre 1900 e 1999, com quedas acentuadas em espécies como a baleia-azul, a baleia-franca, a baleia-fin e a baleia-jubarte.

Preocupados com esse declínio, 15 países assinaram em 1946 a Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira, que criou a Comissão Baleeira Internacional. Mesmo assim, as cotas adotadas nas décadas seguintes não evitaram a redução das populações até a adoção da moratória.

Recuperação das jubartes no Brasil

O Brasil é um dos exemplos mais claros dos efeitos da proibição. Antes da moratória, as baleias-jubarte que utilizam o litoral brasileiro para reprodução estavam reduzidas a alguns milhares de indivíduos. Segundo o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), a população que visita a costa brasileira cresceu de cerca de 2 mil indivíduos em 1986 para aproximadamente 35 mil atualmente.

Entre junho e novembro, as jubartes percorrem mais de 4 mil quilômetros, saindo da Antártica rumo ao litoral brasileiro para acasalar, dar à luz e cuidar dos filhotes. As principais áreas de concentração são o Banco dos Abrolhos, entre Bahia e Espírito Santo, além de trechos do litoral do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. No Brasil, a caça de cetáceos é proibida desde 1987.

Turismo, imagens e ameaças

A recuperação das populações impulsionou o turismo de observação de baleias em pontos como Abrolhos, Arraial do Cabo e a Baía de Guanabara. Recentemente, imagens de drone registraram quatro baleias-jubarte nadando na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), evidenciando a presença dos animais na região durante a temporada.

Apesar da recuperação, as baleias continuam sujeitas a ameaças originadas pela atividade humana, como acidentes com embarcações, emalhamento em redes de pesca, poluição por plásticos, poluição sonora nos oceanos e mudanças climáticas. Além de seu papel na biodiversidade, as baleias contribuem para o funcionamento dos ecossistemas marinhos ao transportar nutrientes, favorecer o fitoplâncton e participar do ciclo de captura de carbono.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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