Uma decisão tomada em 23 de julho de 1982 pela Comissão Baleeira Internacional (CBI) interrompeu a caça comercial de grandes baleias e abriu caminho para a recuperação de várias espécies que estavam à beira da extinção. A moratória, aprovada naquela data, entrou em vigor na temporada 1985/1986 e estabeleceu cota zero para a captura comercial.
A votação que aprovou a proposta apresentada pelas Seychelles terminou com 25 votos favoráveis, sete contrários e cinco abstenções, alcançando a maioria qualificada exigida pela CBI. A medida foi resultado de anos de pressão de cientistas, governos e organizações ambientalistas, como o Greenpeace.
Impacto histórico da caça
A caça às baleias, que ganhou caráter industrial entre os séculos XIX e XX com navios-fábrica e canhões-arpão, levou ao abate de milhões de animais. Estima-se que mais de 2,9 milhões de baleias foram mortas entre 1900 e 1999, com quedas acentuadas em espécies como a baleia-azul, a baleia-franca, a baleia-fin e a baleia-jubarte.
Preocupados com esse declínio, 15 países assinaram em 1946 a Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira, que criou a Comissão Baleeira Internacional. Mesmo assim, as cotas adotadas nas décadas seguintes não evitaram a redução das populações até a adoção da moratória.
Recuperação das jubartes no Brasil
O Brasil é um dos exemplos mais claros dos efeitos da proibição. Antes da moratória, as baleias-jubarte que utilizam o litoral brasileiro para reprodução estavam reduzidas a alguns milhares de indivíduos. Segundo o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), a população que visita a costa brasileira cresceu de cerca de 2 mil indivíduos em 1986 para aproximadamente 35 mil atualmente.
Entre junho e novembro, as jubartes percorrem mais de 4 mil quilômetros, saindo da Antártica rumo ao litoral brasileiro para acasalar, dar à luz e cuidar dos filhotes. As principais áreas de concentração são o Banco dos Abrolhos, entre Bahia e Espírito Santo, além de trechos do litoral do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. No Brasil, a caça de cetáceos é proibida desde 1987.
Turismo, imagens e ameaças
A recuperação das populações impulsionou o turismo de observação de baleias em pontos como Abrolhos, Arraial do Cabo e a Baía de Guanabara. Recentemente, imagens de drone registraram quatro baleias-jubarte nadando na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), evidenciando a presença dos animais na região durante a temporada.
Apesar da recuperação, as baleias continuam sujeitas a ameaças originadas pela atividade humana, como acidentes com embarcações, emalhamento em redes de pesca, poluição por plásticos, poluição sonora nos oceanos e mudanças climáticas. Além de seu papel na biodiversidade, as baleias contribuem para o funcionamento dos ecossistemas marinhos ao transportar nutrientes, favorecer o fitoplâncton e participar do ciclo de captura de carbono.
Com informações de Paranaibamais




