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sábado, outubro 24, 2026

Pesquisadora do UFSC faz vaquinha para visto de doutorado sanduíche na Austrália e sofre chacota nas redes

Quem: Talita Motta Beneli, doutoranda em ecologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O que aconteceu: Talita abriu uma vaquinha online para arrecadar R$ 8 mil necessários ao pagamento de um serviço exigido para emissão de visto vinculado a um doutorado sanduíche na Austrália. Após compartilhar o link com uma influenciadora que a acompanha, sua situação virou alvo de deboche em um vídeo — sem citá-la nominalmente — e desencadeou uma onda de ofensas nas redes sociais.

Onde: A pesquisadora foi aprovada para realizar parte da pesquisa em uma universidade na Austrália e concluir o doutorado no Brasil; o caso ganhou repercussão nas plataformas digitais.

Como: A bolsa que a financiou foi concedida pelo Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da Capes. O edital do PDSE cobre mensalidade, auxílio deslocamento (incluindo passagem aérea), auxílio instalação e seguro-saúde, mas não inclui taxas administrativas extras. A universidade australiana passou a exigir que o visto de atividade temporária (subclass 408) fosse emitido por agência particular parceira, com custo adicional estimado em R$ 8 mil — despesa não contemplada pela Capes.

Por que fez a vaquinha: Talita recebe bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) no valor de R$ 3,5 mil e explica que os auxílios previstos no PDSE estão defasados — por exemplo, o auxílio para passagem considerado no edital é de cerca de R$ 8 mil, enquanto uma passagem de ida e volta à região da Austrália aonde ela precisa ir custa cerca de R$ 11 mil. O visto exigido não permite atividade remunerada complementar, o que agravou a necessidade de recursos adicionais.

O orientador da estudante solicitou à universidade australiana uma exceção para isentar o custo da agência, mas o pedido foi negado. Com a arrecadação inicialmente distante da meta, Talita compartilhou a campanha com a influenciadora. O vídeo crítico gerou milhares de comentários ofensivos; a pesquisadora acabou se identificando e respondendo alguns comentários para contextualizar sua situação.

Após dois dias e com apoio de outros pesquisadores, a vaquinha atingiu a meta, permitindo que Talita quite o custo exigido e prossiga com a pesquisa na Austrália. Apesar do sucesso da arrecadação, a pesquisadora relata desconforto com a exposição e aponta que o episódio expôs dificuldades recorrentes no financiamento da ciência no Brasil.

Talita estuda o comportamento alimentar de peixes em recifes para entender funções ecológicas e os impactos das mudanças climáticas. Dados sobre dietas e funções das espécies podem orientar estratégias de conservação, ajudando a identificar quais espécies ou áreas são mais vulneráveis.

O texto também lembra que a maior parte dos pesquisadores no país depende de bolsas de agências como Capes e CNPq, cujos valores indicados são: R$ 2.100 para mestrado e R$ 3.100 para doutorado. Entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e outras organizações lançaram, em junho deste ano, uma nota pedindo que o pagamento de bolsas deixe de ser tratado como despesa discricionária, para evitar cortes e atrasos que prejudicam pesquisadores e pesquisas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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