Gabrielle Hayashi Santos, natural de Bauru (SP), passou por seleção concorrida e obteve uma das 120 vagas de estágio oferecidas pelo Banco Mundial, em um processo que contou com quase 33 mil inscritos. Formada em Relações Internacionais, ela se tornou a primeira na família a falar inglês, fazer pós-graduação e a estudar no exterior.
O interesse pelos intercâmbios surgiu ainda no ensino médio, quando Gabrielle percebeu que essa possibilidade poderia se tornar realidade por meio de bolsas de estudo. Ainda adolescente, começou a conquistar financiamentos para cursos internacionais sobre liderança, desenvolvimento juvenil e empreendedorismo, áreas que ampliaram seu horizonte acadêmico e profissional.
A estudante relata que, no início, a mãe teve receio de deixá-la viajar desacompanhada, chegando a comparar a situação com risco de tráfico humano. Com o tempo, porém, a família conheceu os programas e apoiou as viagens: Gabrielle conseguiu uma bolsa para um curso no Canadá durante a graduação e, posteriormente, acumulou outros intercâmbios até chegar ao mestrado na Alemanha, período em que estagiou na Unesco.
A trajetória familiar também influenciou suas escolhas. O pai deixou a escola no ensino fundamental para trabalhar em diversos ofícios e só concluiu o ensino médio quando Gabrielle tinha seis anos. A mãe, farmacêutica e de descendência japonesa, saiu de uma cidade agrícola do interior do Mato Grosso para estudar em Bauru — a mesma universidade onde Gabrielle se formou.
No curso de Relações Internacionais, ela passou a concentrar-se na dimensão econômica do desenvolvimento e nas políticas públicas, além de se interessar por processos de orientação de carreira voltados a estudantes internacionais. Gabrielle afirma acreditar que uma carreira adequada pode transformar a vida não só do profissional, mas de toda a família.
O processo seletivo do Banco Mundial, realizado normalmente duas vezes por ano, exigiu envio de currículo e carta de apresentação. Os candidatos aprovados nas primeiras etapas realizaram uma avaliação com casos que cobravam respostas quantitativas e de raciocínio. Em seguida, houve entrevistas em painel com até quatro avaliadores. Gabrielle atribui sua aprovação a um currículo bem ajustado às exigências da vaga e a uma carta que relacionava seu interesse à missão do banco.
Desde maio, ela atua como estagiária no Banco Mundial e tem liderança brasileira direta no seu setor. Gabrielle aponta como principais barreiras para outros jovens chegarem a posições semelhantes o domínio do inglês — exigido pela instituição — e o desconhecimento sobre como redigir cartas de apresentação. Ela também sugere que tutoriais online e recursos de inteligência artificial podem ajudar candidatos a entender a estrutura necessária para essas candidaturas.
Entre seus objetivos, Gabrielle pretende compartilhar sua experiência para demonstrar que jovens brasileiros podem construir carreiras em organismos internacionais por meio de planejamento e estratégias específicas.
Com informações de G1




