São Roque (SP) registrou nesta safra de inverno a primeira colheita comercial da uva nebbiolo, variedade italiana utilizada como base para vinhos renomados mundialmente. A cidade, reconhecida pela produção de uva e vinho e pelo investimento em enoturismo, incorporou a espécie ao plantio local para produzir vinhos fora da temporada tradicional.
O produtor e presidente da Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Cláudio Góes, ressalta que a nebbiolo é originária do Piemonte, no noroeste da Itália, e tem ciclo vegetativo mais longo, o que a torna mais adequada ao cultivo durante outono e inverno.
A viabilização da produção na estação fria se dá pela técnica conhecida como dupla poda. Segundo a descrição adotada pelos produtores, o método prevê uma poda de rebaixamento na primavera e, aproximadamente seis meses depois, uma poda mais alta para estimular a frutificação em período distinto do ciclo habitual. Dos 40 hectares de vinhedo na região, 20 já utilizam esse procedimento.
O engenheiro agrônomo Rodrigo Formolo explica que a condução do ciclo e a colheita no inverno resultam em uvas com maior teor de açúcar e equilíbrio entre pH e acidez, características que contribuem para a elaboração de vinhos de qualidade superior.
Uma vinícola considerada a maior produtora de vinhos de inverno na região metropolitana de Sorocaba projeta colher cerca de 100 toneladas de uva nesta safra. Na propriedade do produtor Alex Moraes, são 10 hectares de cultivo, dos quais quatro foram destinados à produção de inverno. A colheita naquela área está prevista para o fim de agosto.
O calendário de colheita fora do período chuvoso, que compromete a floração, e a alternância de dias mais quentes com noites frias favorecem o acúmulo de açúcar e o equilíbrio da acidez das uvas, conforme apontam os técnicos entrevistados. Moraes estima colher quatro toneladas na safra de inverno de sua propriedade, volume suficiente para produzir aproximadamente 2 mil litros de vinho. O produtor também informou que o preço do produto final será mais alto, em razão do custo adicional da produção no período.
A novidade foi mostrada em reportagem exibida no programa em 23/8/2026.
Com informações de G1




