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sábado, novembro 7, 2026

El Niño pode elevar preços de alimentos em até 20% e pressionar inflação, segundo Rabobank

Fenômeno deve provocar alta nos preços e ter efeito sobre o IPCA

Um modelo elaborado pelo banco Rabobank indica que o El Niño pode provocar aumento de até 19,9% nos preços de alimentos in natura em um cenário de evento forte, com reflexos na inflação geral do país. Segundo o estudo, o pico de elevação nos preços desses produtos tende a ocorrer em até seis meses após os choques climáticos associados ao fenômeno.

O relatório, que compara a evolução do Índice Oceânico Niño (ONI) com a inflação dos alimentos consumidos em domicílio durante episódios passados do El Niño no Brasil, projeta variações diferentes conforme a intensidade do evento. Em um episódio moderado, a alta nos alimentos in natura poderia chegar a 13,4%, enquanto a alimentação no domicílio registraria avanço de 2%. No cenário forte, a alimentação no domicílio subira cerca de 6,32%.

O estudo detalha também o efeito por grupos de produtos: alimentos in natura reagem mais rapidamente aos choques climáticos devido a ciclos de produção curtos; os semi-elaborados sofrem aumentos mais graduais, por conta do encarecimento de insumos; e os produtos industrializados tendem a ter reajustes mais suaves, já que o preço final incorpora custos como processamento, embalagem e transporte.

Quanto ao impacto sobre o índice de preços ao consumidor, o Rabobank estima que um El Niño moderado adicionaria cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA — sendo 0,36 ponto vindo dos in natura, 0,27 ponto dos semi-elaborados e 0,5 ponto dos industrializados (valores parciais que compõem o total indicado). Em um El Niño forte, o efeito total sobre o IPCA seria de aproximadamente 0,83 ponto percentual, com contribuição de 0,53 ponto dos in natura, 0,20 ponto dos semi-elaborados e 0,11 ponto dos industrializados.

O relatório usa como referência os limiares do ONI: média de três meses acima de 0,5°C para classificar El Niño moderado e acima de 1°C para evento forte. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou em agosto probabilidades de 26% para El Niño moderado, 57% para forte e 16% para muito forte; para o fim do ano, a previsão aponta cerca de 80% de chance de ocorrência de um El Niño forte.

O estudo aponta ainda diferenças regionais: maiores aumentos de curto prazo são previstos para as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém, enquanto Salvador e Recife devem ter repasse mais gradual dos choques climáticos aos preços.

Economistas consultados anteriormente pelo G1 destacaram que hortaliças são os primeiros itens a sentir o efeito do El Niño. Caso o fenômeno se intensifique, safras específicas podem sofrer aumentos no próximo ano — entre elas milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. O leite também pode ser afetado dependendo do volume de chuvas no Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para impactos na pecuária no Centro-Oeste e Norte pela redução de chuvas, que pode diminuir a disponibilidade de água para pastagens, e ressalta que algumas regiões podem ser beneficiadas, como o Nordeste na colheita do feijão e o Sul nas culturas de inverno.

O relatório do Rabobank enfatiza que a intensidade e a duração dos efeitos dependem da força do El Niño, das condições de safra e do cenário econômico, e que os maiores repasses aos preços costumam aparecer meses após os choques climáticos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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