Pequim investe em educação e produção para liderar nova revolução industrial
O governo chinês anunciou um programa de US$ 20 bilhões (R$ 103,1 milhões) para impulsionar a automação e posicionar o país na dianteira da inovação robótica, segundo reportagem. A iniciativa faz parte de uma estratégia de largo alcance que inclui formação técnica, expansão da produção industrial e desenvolvimento de inteligência artificial aplicada a máquinas.
O plano é visível em centros de ensino profissional e em fábricas. No Instituto Técnico de Hangzhou, jovens a partir dos 15 anos aprendem programação e montagem de robôs, enquanto nas linhas de produção chinesas mais de 2 milhões de robôs já trabalham ao lado de operários — mais robôs do que em qualquer outro país do mundo. A China também fabrica mais da metade dos robôs industriais globais e exporta equipamentos para diversos mercados.
Em salas de aula e oficinas, instrutores e estudantes treinam sistemas que realizam soldagem, pintura, içamento de cargas e montagem de peças. Um dos instrutores, Chen Tianyu, 28 anos, passa tempo em fábricas para manter o conteúdo de suas aulas atualizado, enfatizando a necessidade de os alunos se adaptarem ao avanço tecnológico.
Na cidade de Chengdu, a CRP Technology emprega 300 pessoas e produz braços robóticos que podem ser programados para desempenhar até 90% das tarefas repetitivas de uma linha industrial. Engenheiros locais trabalham em protótipos que, aos poucos, ganham capacidade para executar funções adicionais. Pang Kai, 31 anos, integra essa equipe de pesquisa e desenvolvimento.
A adoção acelerada da automação é motivada também por mudanças demográficas: projeções oficiais apontam que, até 2035, mais de um terço da população chinesa terá mais de 60 anos, e estimativas indicam perda de quase 60 milhões de habitantes na próxima década. Autoridades e empresas esperam que máquinas compensem a redução da mão de obra disponível.
Especialistas apontam vantagens estruturais da China, como cadeia de suprimentos completa para montagem de robôs e planejamento coordenado entre governo e localidades. A secretária-geral da Federação Internacional de Robótica, Susanne Bieller, destaca a rapidez com que componentes podem ser obtidos em centros como Shenzhen em comparação com Europa.
Por outro lado, analistas e empresários, como Cao Li, vice-presidente da Leapmotor, ressaltam que a manutenção e a inspeção das máquinas continuam exigindo trabalho humano. A Leapmotor já utiliza robôs em várias etapas de produção e emprega mais de 25 mil pessoas, muitas das quais realizam verificações finais nos veículos.
O avanço tecnológico também se manifesta em eventos públicos: a China sediou a segunda edição dos Jogos Mundiais de Humanoides, competições que exibem capacidades como corrida e luta entre robôs. Paralelamente, há centros de treinamento que preparam estudantes para trabalhar ao lado de máquinas, em busca de reduzir o desemprego juvenil e formar profissionais demandados pelo mercado.
Apesar do impulso à automação, persistem dúvidas sobre o impacto social e econômico dessa transformação em um país que enfrenta desafios como crise imobiliária, dívida local elevada e consumo fraco. A escala e a velocidade das mudanças serão determinantes para saber se a automação trará novas oportunidades ou reduzirá postos de trabalho em larga escala.
Com informações de G1




