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sexta-feira, outubro 23, 2026

Alunas da rede estadual da Bahia transformam lembrança caseira sobre tomate-cereja em projeto de iniciação científica

De lembrança pessoal a projeto escolar

Em 2024, duas estudantes do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho, em Guanambi, no sudoeste da Bahia, transformaram uma experiência caseira em um projeto de iniciação científica. Valéria Pereira, que havia recebido da avó a sugestão de aplicar tomate‑cereja na pele durante crises de acne, dividiu a memória com a colega Eduarda Diamantino Neco quando precisaram formar um grupo para a feira de ciências do colégio.

A princípio voltadas apenas à avaliação escolar, as alunas passaram a investigar a partir da proposta da professora de Biologia, Elizângela Souza Vieira, que orientou os estudantes a partir de problemas cotidianos. Com a orientação, elas pesquisaram publicações sobre o tomate e seus componentes, incluindo a presença de licopeno, e elaboraram uma fórmula experimental de creme com tomate‑cereja e glicerina.

Metodologia e resultados preliminares

As estudantes realizaram revisão bibliográfica, registraram etapas do processo e acompanharam testes do produto por cerca de um mês, com seis voluntários próximos. Segundo Valéria e Eduarda, os relatos indicaram alterações na oleosidade da pele e nas lesões associadas à acne. No entanto, as alunas e a professora destacam que os achados não comprovam a eficácia do creme: trata‑se de um estudo experimental que não substitui pesquisas com amostra maior, metodologia controlada e avaliação de segurança.

Dificuldades para manter a investigação

Durante o desenvolvimento do projeto, as estudantes precisaram arcar com parte dos custos dos ingredientes, pois o laboratório da escola não dispunha de todos os materiais necessários. A professora Elizângela citou a demora e a burocracia no recebimento de recursos como entraves e apontou ainda a dificuldade de conciliar a orientação dos trabalhos com a carga de atividades docentes — ela mencionou 26 horas/aula em sala e mais 8 horas de planejamento.

Repercussão e continuidade

O projeto não foi selecionado para a FECIBA — Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia — o que gerou desânimo temporário nas alunas. Ainda assim, ambas consideram que a experiência representou um marco: Eduarda hoje cursa Odontologia e Valéria pretende seguir formação na área de estética. Elas e a professora manifestam interesse em aprofundar estudos sobre as propriedades dermatológicas do tomate‑cereja e avaliar a possibilidade de patente, embora reconheçam as limitações do projeto atual.

O caso também é apresentado no contexto de iniciativas federais de fomento à educação científica na rede básica, como o Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) do CNPq e o programa Mais Ciência na Escola, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com o Ministério da Educação e o CNPq. Em 2025, o governo federal anunciou meta de alcançar 2 mil escolas; a Bahia estava entre os estados contemplados, com 90 instituições na etapa então existente. Em 2026, o CNPq lançou edital para apoiar feiras de ciências e mostras científicas ao longo do ano letivo.

Na esfera estadual, o secretário de Educação da Bahia, Marcius Gomes, afirmou que a rede mantém ações de incentivo à educação científica e que, nos eventos anuais da rede, são submetidos mais de 2.000 trabalhos científicos ligados a vocações e problemas locais.

O que começou como uma dica doméstica e uma atividade para obter nota tornou‑se um exercício de pesquisa: levantamento bibliográfico, testes, registros, frustrações e aprendizagem prática sobre os limites e possibilidades da investigação científica na escola.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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