Cúpula discute futuro da produção audiovisual e assina declaração conjunta
Na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, os presidentes Emmanuel Macron e Lee Jae Myung copresidiram a Cúpula Lumière, que reuniu representantes de mais de 55 países, grandes empresas de cinema, televisão e games, criadores, festivais e instituições culturais para debater os rumos do setor audiovisual.
O encontro teve participação de executivos dos principais estúdios de Hollywood, entre eles Disney, NBCUniversal e Netflix, além da agência de talentos CAA e nomes do setor de tecnologia. A Globo esteve representada por Paulo Marinho, integrante do painel “Emissoras e streamings: velhos rivais, novas estratégias”, que contou também com Isabelle Degeorges, da Gaumont Télévision, e Andrew Bennett, da Prime Video.
Os debates abordaram como a indústria deve enfrentar a disseminação da inteligência artificial, a concorrência das redes sociais pela atenção do público e a escassez de financiamento para novas produções. Entre os pontos levantados esteve a evolução da relação entre emissoras de TV aberta e plataformas de streaming: depois de uma década de disputa pela mesma audiência, os modelos caminham hoje para uma interdependência, com aproximação em desenvolvimento, financiamento e distribuição de séries, combinando ecossistemas criativos locais com alcance global — exemplo citado foi a própria Globo, que mantém a plataforma Globoplay.
O nome do evento homenageia os irmãos Auguste e Louis Lumière, pioneiros do cinema francês. A data da cúpula coincidia com o 130º aniversário da primeira exibição pública do Cinematógrafo pelos irmãos Lumière e com os 200 anos desde o registro da primeira fotografia.
Declaração de Lumière e 15 princípios
Ao fim do encontro, os participantes assinaram a “Declaração de Lumière”, um documento que reúne 15 princípios sobre o futuro do audiovisual. Entre os pontos centrais está a afirmação de que a criação humana deve permanecer na base das obras audiovisuais, mesmo com o avanço da inteligência artificial; a declaração determina que a tecnologia só deve ser utilizada se servir para impulsionar a criação, e não substituí-la.
O texto também alerta para a ameaça de agentes autônomos de IA na forma como o público descobre e acessa obras, defende a preservação de acervos audiovisuais físicos, que se degradam de modo irreversível, e propõe uma iniciativa conjunta com a Unesco para tratar a educação para a imagem como uma alfabetização do século 21, iniciando esse processo nos primeiros anos escolares.
Outros compromissos previstos na declaração incluem o combate à pirataria, a promoção da diversidade de obras e formatos, o fortalecimento da coprodução internacional e a valorização da experiência coletiva do cinema. Os signatários se comprometeram a manter o engajamento sobre esses temas e a revisar conjuntamente os progressos alcançados.
O encontro marcou a primeira vez, nesse nível, que Estados, grandes empresas do setor, criadores e organizações culturais se reuniram para discutir como o valor da imagem em movimento pode ser criado, compartilhado e sustentado na próxima década, considerando diferenças entre mercados já consolidados e outros em rápido crescimento, onde surgem públicos e ecossistemas criativos dinâmicos.
Com informações de G1




