23.6 C
Uberlândia
quarta-feira, novembro 4, 2026

Volkswagen negocia venda de fábrica em Osnabrück para projeto de defesa com empresa israelense

A Volkswagen informou nesta segunda-feira (7) que iniciou um acordo preliminar para vender a sua fábrica de Osnabrück, no noroeste da Alemanha, a um consórcio composto pela Aurelius Capital, com sede em Tel Aviv, e pelo governo da Baixa Saxônia. A proposta prevê converter a unidade, que deixará de produzir automóveis em 2027, para a fabricação de equipamentos de defesa destinados a Rafael Advanced Defence Systems, empresa israelense de tecnologia bélica.

A transação ainda não foi formalizada; o entendimento estabelecido tem como objetivo definir responsabilidades, estruturar o negócio e preparar a transição da planta para o novo uso industrial. Segundo a Volkswagen, o projeto deverá concentrar-se na produção de sistemas antiaéreos e componentes voltados ao mercado alemão e a outros países europeus, sem detalhes adicionais sobre volumes ou valores da venda.

A decisão integra uma reestruturação mais ampla do grupo, que enfrenta uma crise marcada por forte concorrência chinesa, tarifas dos Estados Unidos e menor demanda por veículos elétricos. A montadora anunciou recentemente o maior plano de demissões da história do setor automotivo global e vem promovendo cortes e revisões de sua rede industrial na Alemanha.

Na planta de Osnabrück, que tem 125 anos de história, são hoje fabricados modelos como o T‑Roc Cabriolet e também versões do Cayman e Boxster para a Porsche, controlada pelo grupo Volkswagen. A empresa afirmou que o acordo com os novos investidores deverá manter ao menos 1,2 mil dos 1,8 mil empregos atualmente na unidade.

A Rafael é reconhecida por sistemas como o Domo de Ferro, um escudo antiaéreo utilizado por Israel, e pelo projeto de arma a laser Iron Beam. A empresa também fornece o sistema de proteção ativa Trophy, capaz de neutralizar munições e armas antitanque, que equipa blindados Leopard produzidos na Alemanha.

O futuro de outras quatro fábricas alemãs do grupo permanece incerto enquanto a Volkswagen segue com planos de redução de custos. Recentemente, direção e sindicatos concordaram em avaliar usos alternativos para essas unidades, ao mesmo tempo em que aprovaram a eliminação de mais 50 mil postos de trabalho, elevando para 100 mil o total de vagas a serem cortadas no grupo nos próximos anos.

O movimento também acompanha outras aproximações entre montadoras e o setor de defesa: em junho, a Mercedes‑Benz informou que firmou parceria com a fabricante de drones Tytan Technologies para adaptar algumas vans em veículos móveis de defesa contra drones, e manteve conversas sobre produção de veículos blindados com a franco‑alemã KNDS.

Segundo a Volkswagen, o acordo com os parceiros alemães e israelenses deverá abrir um novo capítulo industrial para a unidade de Osnabrück, preservando parte do quadro de funcionários e direcionando a planta para a produção de tecnologias de defesa na Alemanha e na Europa.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também