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terça-feira, novembro 3, 2026

EUA acusam empresas chinesas de usar técnica para extrair capacidades de modelos americanos; China nega

O governo dos Estados Unidos informou na terça-feira (8) que empresas chinesas de inteligência artificial estariam empregando uma técnica chamada “destilação” para extrair capacidades de modelos desenvolvidos por companhias americanas e, assim, acelerar a criação de seus próprios sistemas. Autoridades norte-americanas citaram nomes como DeepSeek, Alibaba, Moonshot AI e Z.ai como praticantes dessa abordagem em escala industrial.

Segundo o comunicado conjunto de autoridades de segurança e inteligência dos EUA, a destilação permite a um modelo aprender a reproduzir as respostas e habilidades de outro sistema apenas a partir das saídas que ele gera. Essa estratégia reduz custos e tempo de desenvolvimento, segundo a explicação oficial, e teria sido aplicada visando modelos criados por empresas como Anthropic, OpenAI e e xAI.

As autoridades americanas qualificaram o uso da técnica como “agressivo, malicioso e direcionado”, e afirmaram que ele pode viabilizar o desenvolvimento mais rápido e barato de sistemas de IA por parte de empresas chinesas, além de potencialmente ampliar capacidades militares e de ataque cibernético da China. A nota dos EUA também afirmou que a prática ocorreria provavelmente com conhecimento do governo chinês.

A acusação surge pouco antes de uma série de conversas bilaterais entre Washington e Pequim. Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping têm encontro previsto para ainda este mês, e os dois países planejam abordar riscos relacionados à segurança da inteligência artificial.

O governo chinês rejeitou as alegações. O Ministério do Comércio declarou que as acusações não têm base factual ou legal e acusou os Estados Unidos de imporem “dois pesos e duas medidas” para restringir a concorrência chinesa no setor de IA. A pasta afirmou que a destilação é um “método técnico neutro por natureza” e amplamente usado por empresas de IA, inclusive nos EUA, e advertiu que, caso Washington utilize a repressão à destilação como pretexto para conter empresas chinesas, “a China certamente tomará medidas resolutas em resposta”.

O Ministério das Relações Exteriores da China também pediu que os Estados Unidos evitem fazer “acusações falsas” e “difamar” o país, e defendeu que, como grandes potências em inteligência artificial, China e EUA deveriam fortalecer a cooperação.

O episódio não é inédito: os Estados Unidos já haviam feito uma acusação similar em abril, antes de uma visita de Trump à China, e reportagens anteriores, incluindo da Reuters em julho, indicaram que pesquisadores militares chineses utilizaram resultados de modelos avançados de IA americanos para desenvolver sistemas locais e ampliar capacidades de defesa.

As informações divulgadas pelos EUA citam riscos tanto econômicos quanto de segurança derivados da prática de destilação, enquanto Pequim mantém que a técnica é parte comum do desenvolvimento tecnológico e se declara pronta a responder caso as medidas americanas visem suprimir sua indústria de IA.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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