19.6 C
Uberlândia
terça-feira, novembro 3, 2026

Chuvas atípicas elevam preços do etanol em São Paulo apesar de estoques robustos, aponta USP

O clima atípico, com volume de chuva superior ao esperado desde o fim de agosto e que se estendeu pela primeira semana de setembro de 2026, contribuiu para a alta das cotações dos etanóis anidro e hidratado no mercado do estado de São Paulo, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), campus da USP em Piracicaba.

Movimentação dos preços

O litro do etanol hidratado encerrou a primeira semana de setembro na casa dos R$ 2,40. No relatório mensal do Cepea, os preços médios dos etanóis registraram, em agosto, a primeira elevação da temporada 2026/27 em São Paulo: a média das semanas cheias de agosto para o hidratado foi de R$ 2,2020/litro, alta de 3,11% frente a julho.

No mercado spot, com pagamento à vista, o litro do etanol anidro teve preço médio de R$ 2,4750 em agosto, aumento de 1,59%. O Cepea relacionou a valorização à previsão de chuvas em setembro na região Centro-Sul, que pode provocar paralisações das atividades industriais, além da valorização do açúcar no mercado externo diante da expectativa de menor disponibilidade em alguns países produtores.

Dados semanais e efeitos das chuvas

Segundo o Indicador Semanal Cepea/Esalq, o etanol renovável fechou a semana de 31 de agosto a 4 de setembro de 2026 cotado a R$ 2,3991 por litro (sem frete e sem impostos), representando avanço de 3,79% em relação ao período anterior. Em dólar, a cotação foi de US$ 0,4672/litro. O Cepea ressaltou que as chuvas recentes nas áreas produtoras do Centro-Sul provocaram paralisações nas atividades e ajudaram a manter firme a posição dos vendedores.

O levantamento também indica que distribuidoras de menor porte aumentaram aquisições nos últimos dias, impulsionadas pelo movimento de vendas no varejo em razão do feriado do Dia da Independência, em 7 de setembro.

Trajetória de preços em agosto

Para o anidro, o preço iniciou agosto em R$ 2,3091 por litro, recuando 0,22%, mas registrou sucessivas altas nas semanas seguintes, chegando a R$ 2,7829 por litro na primeira semana de setembro, com salto final de 6,85% no período. No caso do hidratado, a maior alta semanal ocorreu entre 10 e 14 de agosto (7,24%), quando o indicador passou de R$ 2,0457/litro para R$ 2,1939/litro. Nas semanas seguintes, o hidratado seguiu em elevação: 17 a 21 de agosto (+2,86%) para R$ 2,2566/litro (US$ 0,4352), 24 a 28 de agosto (+2,44%) atingindo R$ 2,3116/litro (US$ 0,4476) e 31 de agosto a 4 de setembro (+3,79%) em R$ 2,3991/litro (US$ 0,4672). Comparando o patamar de R$ 2,0457 no início de agosto com R$ 2,3991 na primeira semana de setembro, houve valorização de aproximadamente 17,27%.

Açúcar cristal

O Cepea também apontou alta nos preços do açúcar cristal em São Paulo, sustentada por oferta mais restrita. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam disponibilidade limitada, já que, mesmo com maior avanço da moagem no Centro-Sul, parte do processamento foi direcionada ao etanol. No mercado à vista de São Paulo, o Indicador Cepea/Esalq passou de média de R$ 93,02 a saca de 50 kg na primeira semana de agosto para R$ 108,53 a saca no fim do mês, refletindo postura mais firme das usinas e cautela dos compradores diante da rápida valorização.

O boletim do Cepea conclui que o descompasso entre moagem e direcionamento da cana para etanol tende a sustentar a restrição de oferta ao longo do ciclo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também