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domingo, setembro 13, 2026

Brics pede contenção no Oriente Médio e defende maior papel do Brasil na ONU

Os países que participaram da Cúpula do Brics em Nova Delhi expressaram preocupação com a intensificação das hostilidades no Oriente Médio e cobraram prudência dos atores envolvidos. A posição consta da declaração final do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, divulgada no sábado (12).

O Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Segundo o documento, os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional. Em 2025, a presidência do grupo foi exercida pelo Brasil, que sediou a cúpula anual no Rio de Janeiro, em julho.

Uma das questões centrais da reunião foi a posição do bloco sobre o conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra alvos iranianos sob a alegação de atividades nucleares por parte do Irã, o que Teerã nega. Em retaliação, o Irã conduziu ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, nações alinhadas aos Estados Unidos e integrantes do Brics.

A declaração final, com 35 páginas e 140 parágrafos, manifestou “profunda preocupação” com a escalada de tensões e conclamou ao exercício da máxima contenção e à abstenção de ações que possam agravar a situação, sem mencionar diretamente países envolvidos ou empregar o termo “guerra” no trecho dedicado ao tema.

Participaram do encontro líderes como o primeiro‑ministro indiano Narendra Modi e os presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). O Irã esteve representado pelo presidente Masoud Pezeshkian. Os Emirados Árabes Unidos enviaram o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Reforma do Conselho de Segurança e comércio

A declaração defende uma reforma do Conselho de Segurança da ONU com o objetivo de torná‑lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, ampliando a participação de países em desenvolvimento. O texto recorda que o conselho tem 15 membros, dos quais Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França são permanentes e detêm direito de veto. O Brasil pleiteia há décadas um assento permanente, e China e Rússia reafirmaram apoio às aspirações do Brasil e da Índia por maior papel na ONU, sem mencionar explicitamente a inclusão do Brasil como membro permanente.

O documento também criticou medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais consideradas distorcivas ao comércio e incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio. Não há citação nominal aos Estados Unidos nem ao presidente Donald Trump, embora o texto registre que, desde 2025, o país tem aplicado tarifas a parceiros comerciais, com Brasil, China e Índia entre os alvos.

Sobre finanças, os países afirmaram que avançam na busca por mecanismos eficientes para pagamentos transfronteiriços em moedas locais, sem mencionar a criação de moeda própria do Brics ou a substituição do dólar.

No trecho sobre desenvolvimento social, a declaração aponta que erradicar a pobreza em todas as suas formas é o maior desafio global e cita uma proposta do Brasil e da África do Sul para criar um painel internacional sobre desigualdade.

O documento reflete os consensos alcançados pelos membros durante a cúpula e encerra o registro oficial das posições adotadas no encontro.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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