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quarta-feira, setembro 16, 2026

Número de professores com 60 anos ou mais mais que dobra em 8 anos; docentes até 24 anos caem 31%, aponta Semesp

O Instituto Semesp divulgou em 16 de setembro de 2026 pesquisa que evidencia um envelhecimento acentuado do quadro de professores da educação básica, com aumento expressivo do número de docentes próximos à aposentadoria e queda no ingresso de profissionais jovens.

Segundo o estudo, entre 2015 e 2023 o total de professores do ensino médio cresceu 6,6%. Porém, ao dividir por faixa etária, o contingente de educadores com até 24 anos registrou redução de 31,1%, caindo de cerca de 17 mil para 12 mil. Na faixa de 60 anos ou mais, o número mais que dobrou, passando de 18 mil para 37 mil — variação de 104,5%.

A presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, afirma que “os dados mostram que o risco de apagão não depende mais apenas da quantidade de professores existentes hoje. O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos”.

Causas apontadas pelo levantamento

O levantamento liga a baixa atratividade da carreira a três fatores principais. Primeiro, a remuneração: dados da RAIS de 2025 indicam que um professor de ensino médio recebia em média R$ 6.500 mensais, valor 20% inferior à renda média dos trabalhadores com ensino superior completo (R$ 8.100). Em disciplinas específicas a diferença é maior; professores de sociologia do ensino médio tiveram média salarial de R$ 4.695.

Segundo, as condições de trabalho. O indicador de esforço docente do Inep mostra que, em 2025, 41,4% dos professores de ensino médio lidavam com turmas entre 50 e 400 alunos, exerciam jornada em dois turnos, atuavam em uma ou duas escolas e ministravam aulas em duas etapas de ensino.

Terceiro, a falta de perspectiva de carreira em comparação com outros países. O Semesp cita exemplos internacionais de progressão salarial na Coreia do Sul e na Austrália, onde o rendimento anual de professores cresce substancialmente ao longo da carreira.

Taxa de Renovação Docente e disciplinas mais críticas

Para avaliar a capacidade de substituição dos profissionais, o Instituto criou a Taxa de Renovação Docente, que relaciona o número de professores com até 24 anos ao total com 60 anos ou mais. Valores abaixo de 1 indicam preocupação, e quanto menor o índice, maior o alerta.

Entre 2015 e 2023, as maiores quedas na taxa ocorreram em: Química (de 1,77 para 0,42), Educação Física (de 1,59 para 0,40), Física (de 1,53 para 0,40) e Biologia (de 1,45 para 0,37). As disciplinas de Humanidades apresentam as menores taxas absolutas no último levantamento: Geografia 0,216; História 0,234; Língua Portuguesa 0,240; Sociologia 0,263; Filosofia 0,274; Artes 0,278.

O relatório ressalta que, embora conte com a experiência dos professores mais velhos, esse mesmo quadro pressiona a necessidade de substituição na próxima década. A projeção do Semesp indica que, em 2040, a Taxa de Renovação Docente média pode cair para 0,17 — ou seja, haveria aproximadamente um professor com até 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais. Em termos absolutos, a estimativa é de cerca de 10,7 mil docentes jovens diante de 61,9 mil professores com 60 anos ou mais.

O estudo aponta a combinação de salários pouco competitivos, desgaste por jornadas e deslocamentos e falta de atração entre as principais causas da redução da entrada de novas gerações na carreira docente.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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