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segunda-feira, outubro 19, 2026

Pessoas com deficiência recebem quase 30% menos e têm menor participação no mercado de trabalho, aponta IBGE

As pessoas com deficiência (PCDs) no Brasil têm rendimentos médios substancialmente menores e menor acesso ao emprego formal, segundo o informativo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 18 de setembro de 2026.

Em 2022, o país registrou 14,4 milhões de pessoas com deficiência, correspondente a 7,3% da população com 2 anos ou mais. O rendimento médio mensal do trabalho entre PCDs foi de R$ 2.053, enquanto a média entre pessoas sem deficiência alcançou R$ 2.890.

Diferenças por setor e nível de ocupação

A disparidade salarial aparece em todos os setores analisados, com maior diferença na indústria, onde o rendimento de PCDs é 29,3% menor, e nos segmentos de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais, com queda de 31,3%. Na manufatura, por exemplo, a média dos PCDs foi de R$ 1.859 ante R$ 2.630 dos trabalhadores sem deficiência. No conjunto de informação, atividades financeiras e outros serviços, o rendimento médio dos PCDs ficou em R$ 2.754, contra R$ 4.008 entre os demais trabalhadores.

O indicador de ocupação — proporção de pessoas em idade de trabalhar que têm um emprego — também mostra desigualdade: 55,8% entre pessoas sem deficiência e 29% entre PCDs, uma diferença de 26,8 pontos percentuais.

Luanda Chaves Botelho, da Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, observa que a população com deficiência enfrenta múltiplos obstáculos para acessar o trabalho e que, quando inserida no mercado, costuma ocupar posições com menor proteção social e contribuições previdenciárias.

Renda familiar, pobreza e perfil etário

A incidência de pobreza é superior entre pessoas com deficiência em todas as faixas etárias avaliadas, com destaque para crianças de 2 a 14 anos: 60,9% delas estão abaixo da linha de pobreza definida pelo IBGE (rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 mensais). Entre idosos (60 anos ou mais), a pobreza tende a ser menor em função da maior cobertura por benefícios e aposentadorias, segundo o instituto.

Educação e acessibilidade escolar

A pesquisa aponta que dificuldades educacionais contribuem para as desigualdades no mercado de trabalho. A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2% em 2022, cerca de 12 vezes superior à taxa de 1% observada entre jovens sem deficiência. A frequência escolar também é menor entre PCDs: entre crianças de 6 a 14 anos, 92,6% dos PCDs frequentavam a escola, ante 98,4% dos sem deficiência; entre adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência foi de 79,5% para PCDs e 85,4% para os demais.

Quanto à infraestrutura, 78,5% das escolas de educação básica tinham pelo menos um dos recursos de acessibilidade avaliados pelo IBGE. O item mais disponível eram banheiros acessíveis (57%), seguidos por salas de recursos multifuncionais (30%) e profissionais de apoio (26,2%). A coordenadora Luanda Botelho ressalta que, apesar de avanços, nem todas as unidades da rede de ensino dispõem dessas medidas.

Deslocamento e mobilidade

Sobre mobilidade, a maioria das pessoas com deficiência estuda ou trabalha no mesmo município onde mora. Os meios de transporte mais usados foram ônibus e BRT (24,7%), deslocamento a pé (23,7%) e automóveis, táxis ou similares (22,8%). O tempo médio de deslocamento entre casa e trabalho foi de 37 minutos para PCDs, quatro minutos a mais que os 33 minutos registrados entre pessoas sem deficiência. Segundo o IBGE, isso ocorre porque PCDs podem demorar mais para chegar ao ponto de transporte e embarcar, o que pode elevar ainda mais o tempo total de deslocamento do que o medido.

O informativo do IBGE reúne os dados que evidenciam as barreiras estruturais e socioeconômicas enfrentadas pelas pessoas com deficiência no país e detalha variações por setor, faixa etária e recursos educacionais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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