Venda e posicionamento
O Renault Boreal chegou ao mercado em 2025 e acumulou prêmios, mas não conseguiu engrenar nas vendas no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e agosto, a Renault emplacou 7.633 unidades do modelo no Brasil. No mesmo intervalo, a Jeep vendeu 36.341 unidades do Compass e a Toyota registrou 25.564 unidades do Corolla Cross. O Jaecoo 7, da aliança Omoda & Jaecoo, também superou o Boreal, com 11.769 emplacamentos — mais de 7 mil dessas unidades são da versão Elite, com preço de R$ 189 mil.
Preços e ações comerciais
Atualmente, o Boreal é oferecido em três versões: Evolution por R$ 179.990, Techno por R$ 199.990 e Iconic por R$ 214.990. Para estimular as vendas, a Renault chegou a oferecer bônus de até R$ 22 mil e incluiu o modelo em ações do programa Move Aplicativos, com descontos voltados a taxistas e motoristas de aplicativo.
Plataforma e comportamento dinâmico
O SUV utiliza a plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform), projetada para acomodar diversas configurações de carroceria e propulsão. A suspensão dianteira é do tipo McPherson e a traseira recorre a eixo de torção, com espaço para uma barra estabilizadora interna de 30 mm. A direção é elétrica e conta com assistência variável, ajustada conforme o modo de condução: Comfort torna a direção mais leve e Sport mais firme.
Conforto e acerto de suspensão
A calibragem da suspensão foi feita para conciliar conforto e dirigibilidade, trabalho finalizado pela engenharia da Renault Tecnologia Américas no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina. O conjunto visa equilibrar o centro de massa mais alto típico do segmento e as rodas de 18 polegadas, resultando em comportamento adequado para o uso diário, ainda que com a sensação de assistência de direção mais “anestesiada”, conforme a proposta contemporânea de SUVs.
Tecnologia e modos de condução
A arquitetura eletrônica da RGMP comporta sistemas de assistência e gerenciamento de energia. O Boreal traz o recurso Multi-Sense, com cinco modos de condução — Eco, Comfort, Sport, Personal e Smart — selecionáveis pela central multimídia ou por um comando giratório no console. As alterações afetam a resposta do acelerador, o esforço da direção, as informações no painel e a iluminação interna; o modo Smart faz adaptações automáticas entre Eco, Comfort e Sport.
Motor e câmbio
O motor é o 1.3 turbo TCe flex, desenvolvido em parceria com a Daimler e produzido em São José dos Pinhais (PR). Entrega 163 cv com etanol (156 cv com gasolina) e torque de 27,5 kgfm. A transmissão é automática de dupla embreagem com seis marchas e banho de óleo, oferecendo modos Sport, Eco e My Sense. Recursos como creeping, assistente de partida em rampa (HSA) e freio de estacionamento eletrônico inteligente estão presentes. Segundo o PBEV do Inmetro, o consumo é: gasolina 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada; etanol 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.
Equipamentos da versão Techno
A versão testada, Techno, traz rodas de 18 polegadas com acabamento preto e desenho Mountain, barras longitudinais no teto, antena shark e faróis de neblina. A cabine tem duas telas de 10 polegadas: uma para o painel de instrumentos, capaz de reproduzir o mapa de navegação, e outra central que integra serviços do Google (Google Maps, Google Play e Google Assistant) e mais de 100 aplicativos. O conjunto inclui ar-condicionado automático de duas zonas, saídas traseiras, console com compartimento refrigerado, quatro portas USB-C, carregador por indução e bancos dianteiros com ajustes elétricos e regulagem lombar para motorista e passageiro.
O porta-malas tem 522 litros (VDA) e sobe a 1.279 litros com os bancos rebatidos; a base facilita o acesso à carga. Há iluminação ambiente com 48 cores, que integra-se aos modos de condução. A ergonomia é destacada pelo volante com botões físicos e controles de climatização acessíveis, embora a manopla de câmbio seja pequena e pouco prática para alguns motoristas. O espaço traseiro é generoso e a qualidade de montagem da cabine é apontada como superior ao do primo mais barato, o Kwid.
Segurança e assistências
A Techno conta com seis airbags (frontais, laterais e de cortina) e sistemas de assistência que incluem controle de velocidade adaptativo, alerta de distância segura, alerta de permanência em faixa, alerta de ponto cego, frenagem automática de emergência (também em curvas), reconhecimento de placas, limitador de velocidade, alerta de saída segura dos ocupantes com radares laterais traseiros, alerta de tráfego cruzado traseiro, sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros, câmera de ré e câmera 360 graus. O pacote ainda disponibiliza assistente de estacionamento semiautônomo, assistente de partida em rampa e sensor de fadiga.
Desempenho e especificações técnicas
Segundo dados oficiais, o Boreal pesa 1.423 kg e tem dimensões de 4,56 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,65 m de altura, entre-eixos de 2,70 m. A tração é dianteira, com pneus 225/55 R18. A aceleração de 0 a 100 km/h é de 9,5 segundos com etanol e 9,8 segundos com gasolina; a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 180 km/h. Tanque de combustível: 50 litros. Freios dianteiros ventilados e traseiros sólidos completam a ficha técnica.
O g1 conclui que o Boreal reúne atributos técnicos, boa vida a bordo e oferta de equipamentos, mas encara um mercado em transição, no qual parte dos consumidores nessa faixa de preço já mira alternativas híbridas ou carros importados com outra proposta de valor. Para compradores mais tradicionais, continua sendo apresentada como opção, com a recomendação de aproveitar eventuais descontos e planejar uso mais prolongado para mitigar perdas na revenda.
Com informações de G1




