O Ministério da Fazenda divulgou, no Boletim Macrofiscal publicado em 22 de setembro de 2026, a redução da previsão de crescimento da economia brasileira para 2,0% neste ano, ante 2,3% estimados anteriormente. O recuo é atribuído, sobretudo, à perda de dinamismo do setor de serviços, pressionado pelo maior peso do pagamento de dívidas das famílias sobre a renda disponível.
Segundo o documento, a perspectiva para serviços caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a previsão para a indústria recuou de 2,1% para 1,7%. A agropecuária, por sua vez, teve a projeção elevada de 1,8% para 2,8%, parcialmente compensando os ajustes negativos nos demais setores. O ministério aponta que o desempenho mais fraco dos serviços decorre do efeito de arraste do primeiro semestre e da transmissão com atraso da política monetária à demanda doméstica.
Embora o nível de endividamento das famílias tenha permanecido estável em relação à renda, o comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou o maior patamar da série histórica no segundo trimestre, limitando a capacidade de transformação do aumento da massa de rendimentos em consumo, observa a pasta.
A avaliação do ministério destaca também a pressão sobre a indústria provocada pelo custo do crédito e pela demanda mais fraca por bens de consumo, enquanto a atividade extrativa segue sustentando parte do setor industrial. Em sentido oposto, o mercado de trabalho mantém apoio a segmentos ligados ao consumo das famílias e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física deve elevar a renda disponível no segundo semestre, atenuando a desaceleração prevista.
Para a inflação, a projeção de 2026 foi reduzida de 5,1% para 4,9%. O ministério justifica a revisão, entre outros fatores, pelos resultados do IPCA de julho, que vieram abaixo do esperado — especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor grau, nos serviços —, pela melhora das expectativas de inflação para 2026 e pela manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano. A publicação também considera a desaceleração prevista da atividade econômica no segundo semestre.
O documento ressalta, contudo, fatores de pressão sobre preços, como o fenômeno El Niño, e informa que a estimativa ainda não incorpora medidas recentes sobre combustíveis. Foram reduzidas as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro, e zeradas essas contribuições para o etanol hidratado, diminuindo a carga tributária em R$ 0,19 por litro. Segundo a Fazenda, a desoneração da gasolina e do etanol hidratado, sem considerar a subvenção ao diesel, pode reduzir o IPCA em cerca de 0,15 ponto percentual.
Para 2027, a previsão de crescimento foi ajustada de 2,5% para 2,3%, reflexo dos efeitos da política monetária contracionista e da transmissão defasada do ciclo de flexibilização da Selic iniciada em 2026. A projeção de inflação para 2027 foi elevada de 3,6% para 3,8%, em parte pelo risco de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano, pelo possível impacto na oferta de carnes e pela aceleração recente do IPA-DI agropecuário, que aumenta o risco de repasses ao consumidor. O ministério também citou riscos de choque sobre fertilizantes decorrentes da intensificação do conflito no Oriente Médio.
Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, o governo avalia que o choque deixou de ser pontual e passou a integrar o cenário persistente de energia. A ausência de um acordo formal e a redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz, somadas a ataques no Mar Vermelho que afetaram o estreito de Bab el-Mandeb, elevaram a volatilidade do Brent, que superou US$ 100 por barril na primeira semana de setembro. Em razão desse cenário, a projeção para o preço médio do barril aumentou de US$ 79,2 para US$ 87,7 neste ano, e de US$ 71,0 para US$ 79,5 para 2027.
O Boletim Macrofiscal é divulgado bimestralmente e reúne projeções de curto e médio prazo para indicadores de atividade econômica e inflação usados no processo orçamentário da União.
Com informações de G1




