Adaptações de videogames historicamente enfrentam dificuldade para agradar simultaneamente o público e a crítica. O lançamento de Resident Evil em 2026 surge como um caso atípico ao reunir ambos os resultados.
Segundo o agregador Rotten Tomatoes, a nova versão da franquia obteve 95% de aprovação da crítica. Comercialmente, o filme abriu com mais de US$ 100 milhões em bilheterias globais, número obtido diante de um orçamento estimado em US$ 75 milhões.
Ao longo das últimas décadas, Hollywood adotou basicamente duas estratégias para levar jogos às telas: produções menores, pensadas para conquistar os fãs da franquia, ou grandes investimentos que apostam na força da marca para atrair o público. Muitas vezes, essas estratégias não se sobrepunham — ou o filme vendia ingressos sem convencer os críticos, ou era elogiado sem sucesso comercial relevante.
Exemplos dessa divisão incluem Warcraft, Rampage e Uncharted, que registraram performances comerciais significativas, porém avaliações críticas moderadas. Five Nights at Freddy’s também alcançou grande público, apesar de críticas mais duras.
Por outro lado, há casos opostos, em que a imprensa especializada aplaudiu produções que não tiveram retorno em bilheteria. Werewolves Within, adaptação de 2021, é citado como exemplo: o filme conquistou 86% no Rotten Tomatoes, mas arrecadou menos de US$ 1 milhão em todo o mundo.
Também há menções a títulos que ajudaram a mudar a percepção sobre o gênero, como Detective Pikachu e Sonic – O Filme, além de suas continuações. As adaptações animadas de Super Mario Bros. e sua sequência alcançaram cifras na casa do bilhão e receberam avaliações positivas, especialmente o primeiro filme.
A franquia Resident Evil já tinha histórico de sucesso financeiro: os filmes protagonizados por Milla Jovovich acumularam centenas de milhões de dólares globalmente, embora não tenham construído uma boa relação com a crítica. A versão de 2026, ao obter boa recepção crítica e desempenho comercial expressivo logo na estreia, passa a ocupar um espaço raramente visto entre adaptações de videogames.
O caso é acompanhado como um possível indicativo de mudança no tratamento das propriedades de jogos no cinema, em que o material de origem deixa de ser apenas um rótulo para vender ingressos e pode servir como base para produções com reconhecimento crítico e de público.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
Com informações de Paranaibamais




