Inflação mantém ritmo elevado e índice anual sobe para 33,1%
O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) informou na quinta-feira (12) que a inflação da Argentina em fevereiro foi de 2,9% pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O resultado permaneceu estável frente a janeiro e representa o maior patamar mensal registrado em quase um ano.
No acumulado em 12 meses até fevereiro, o IPC alcançou 33,1%, acima dos 32,4% verificados no mês anterior. Segundo os dados oficiais, após melhorias no ritmo de alta dos preços ao longo de 2024 — primeiro ano do governo de Javier Milei — a trajetória de 2025 mostrou taxas mensais geralmente entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. A partir de maio de 2025, no entanto, os números passaram a sinalizar uma aceleração gradual da inflação.
O aumento de preços vem no contexto das medidas de ajuste econômico promovidas pela administração de Milei. Após assumir em dezembro de 2023, o governo suspendeu obras federais e interrompeu repasses financeiros a províncias, além de retirar subsídios em tarifas de água, gás, energia elétrica, transporte público e outros serviços, o que pressionou os preços ao consumidor.
O país também registrou variações sociais e fiscais: a taxa de pobreza atingiu 52,9% da população no primeiro semestre de 2024, recuando para 31% no primeiro semestre de 2025. Paralelamente, o governo conseguiu registrar superávits fiscais e reconquistar parte da confiança de investidores.
No terceiro trimestre de 2025, uma crise política abalada pelo vazamento de um áudio em que Karina Milei — secretária-geral da Presidência e irmã do presidente — é acusada de corrupção, levou a investigações judiciais e afetou a imagem do Executivo. Em setembro, Javier Milei sofreu derrota nas eleições da província de Buenos Aires, refletida em forte queda de títulos, ações e da moeda local no dia seguinte ao pleito. Em sequência, o peso atingiu a cotação de 1.423 por dólar e, ao longo de 2025, desvalorizou quase 40%, encerrando a 1.451,50 por dólar, cenário que agravou pressões inflacionárias.
Para conter a volatilidade, os EUA oficializaram em 20 de outubro um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, com promessa de um segundo incentivo de igual valor, elevando o apoio a US$ 40 bilhões. Aumentos nas reservas e a confirmação do apoio contribuíram para a recuperação de parte da confiança do mercado; em 26 de outubro, o governo obteve vitória importante em eleições legislativas, reduzindo a pressão sobre o dólar.
No início do mandato de Milei houve também um acordo com o FMI: em 11 de abril foi firmado empréstimo de US$ 20 bilhões, cuja primeira parcela de US$ 12 bilhões foi liberada pouco depois. Após o acordo, o Banco Central relaxou controles cambiais, aboliu a paridade fixa do peso e introduziu câmbio flutuante, embora a necessidade de intervenção no mercado tenha sido retomada diante da deterioração recente.
Nos meses seguintes, governo e Banco Central implementaram medidas fiscais, monetárias e cambiais para ampliar a oferta de dólares no país. Em maio de 2025 foi autorizada a utilização de dólares mantidos fora do sistema financeiro sem obrigação de declarar a origem; em 10 de junho foram anunciadas flexibilizações no uso de pesos e dólares no mercado de títulos e um plano de captação de US$ 2 bilhões. Também foi prometida redução da emissão monetária pelo BC. Em 2 de setembro, o secretário de Finanças Pablo Quirno afirmou que o Tesouro atuaria diretamente na compra e venda de dólares para evitar desvalorizações abruptas.
O objetivo declarado pelas autoridades é estabilizar a inflação, reforçar reservas, melhorar o câmbio e atrair investimentos enquanto avançam no ajuste econômico promovido pelo governo.
Com informações de G1




