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quinta-feira, setembro 24, 2026

IBGE prepara inclusão do mercado de drogas ilícitas no cálculo do PIB a partir da revisão do SCN

Quem e o que: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trabalha na inclusão de estimativas sobre o mercado de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Quando e onde: A mudança faz parte da revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais (SCN) e os primeiros resultados com a nova metodologia devem ser divulgados em 2028. A revisão estrutural das Contas Nacionais ocorre em média a cada dez anos.

Por que: O objetivo é contabilizar uma atividade que efetivamente movimenta recursos financeiros e, assim, evitar omissões que podem provocar distorções nas estatísticas econômicas, como a superestimação da poupança das famílias quando gastos com produtos ilegais não são registrados.

Como: O IBGE afirma que seguirá manuais internacionais, entre eles o System of National Accounts (SNA), da ONU, e o “Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments”. A metodologia recomendada privilegia a estimativa pela demanda, por ser mais observável do que a produção em mercados ilegais. De forma simplificada, a estimativa parte de: número de usuários × consumo médio por usuário × preço de venda = gasto dos consumidores. A partir desse montante, calcula-se quanto desse consumo é suprido pela produção nacional ou por importações ilegais e estimam-se os custos da atividade para obter o Valor Adicionado Bruto (VAB).

Contexto internacional: Países já adotaram abordagens semelhantes: o Reino Unido passou a incluir drogas ilícitas em suas Contas Nacionais em 2014; França, Alemanha, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Hungria utilizam a metodologia europeia citada pelo IBGE.

Limitações e alcance: O instituto ressalta que a inclusão não implica legalização do tráfico nem a medição de crimes em geral, mas a contabilização de transações econômicas voluntárias entre compradores e vendedores. Os materiais internacionais considerados tratam de três tipos de atividades ilícitas — drogas, prostituição e contrabando — e o IBGE informou, em nota, que incluirá a comercialização de drogas no cálculo do PIB. O instituto não detalhou, contudo, se também incorporará prostituição e contrabando.

Procedimentos técnicos: A metodologia não se baseia apenas em apreensões policiais. Como a produção e a venda em mercados ilegais são difíceis de observar diretamente, o enfoque inicial é estimar o consumo por meio de pesquisas e outras estatísticas disponíveis, e então deduzir a produção correspondente, importações ilegais e custos associados até chegar ao VAB.

A alteração integra o processo de revisão estrutural do SCN e terá divulgação preliminar das metodologias e resultados em 2028.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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