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quarta-feira, outubro 14, 2026

Reunião do governo com clubes sobre proibição das bets, marcada para terça (29), é cancelada

O encontro que o Governo federal marcara para as 15h desta terça-feira (29), em Brasília, com representantes dos clubes de futebol foi cancelado, sem previsão de reagendamento. A reunião pretendia discutir alternativas para mitigar os impactos da proibição das apostas esportivas sobre receitas e patrocínios dos times.

O Ministério do Esporte havia enviado convite à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que dirigentes dos clubes e das federações filiadas participassem. O encontro seria a primeira oportunidade formal do setor de apresentar pedidos ao Executivo desde a publicação da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), que acabou com o mercado regulado de apostas no Brasil.

Propostas previstas na pauta

De acordo com a apuração, duas propostas principais estavam previstas na agenda. A primeira consistia na oferta de uma linha de crédito para ajudar clubes a equilibrar as contas após a perda de patrocínios e contratos de publicidade vinculados às empresas de apostas. Os detalhes sobre o formato, as condições de acesso e a origem dos recursos permaneciam em aberto.

A segunda proposta defendida pelos clubes era a criação de um prazo de transição antes da rescisão definitiva dos contratos relacionados às bets. Os clubes argumentam que os acordos foram firmados quando a atividade estava autorizada e regulada pelo próprio Governo, o que, na visão deles, justificaria um período para reorganização financeira.

Posição de clubes cariocas

O Flamengo criticou a ausência de debate prévio à medida e defendeu a previsibilidade para empresas e instituições que firmaram contratos com base nas normas vigentes. O clube enfatizou que os efeitos da proibição alcançariam não só os grandes times, mas também categorias de base, futebol feminino, esportes olímpicos, campeonatos, fornecedores, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, arenas e demais prestadores de serviços.

O Fluminense, em nota, também cobrou um período de transição caso a medida provisória seja mantida. O clube mencionou contratos em vigor com patrocinadores e o estoque das lojas oficiais — suficiente para cerca de seis meses de camisas com a marca do patrocinador principal — como elementos que justificariam uma mudança gradual para evitar prejuízos a clubes, empresas e trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.

Ambos os clubes demonstraram dúvidas sobre a eficácia da proibição, apontando o risco de migração de apostadores para plataformas clandestinas, que não ficam sujeitas à fiscalização, não recolhem tributos e não oferecem proteção ao consumidor.

Cronograma previsto na medida provisória

A medida provisória, já em vigor mas sujeita à análise do Congresso Nacional para se tornar lei, abrange apostas esportivas e jogos on-line, tanto em ambiente físico quanto virtual, além das autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal. Outras loterias previstas em lei ficam de fora. As empresas que atuavam legalmente foram proibidas de aceitar apostas e de veicular publicidade.

O texto da MP define etapas para o encerramento das operações e a devolução de valores aos usuários:

25 de setembro — Publicação da MP: publicação da medida provisória que proíbe as plataformas de apostas on-line e impede novos aportes nas bets.

Até 5 de outubro, às 23h59 — Retirada voluntária: prazo para apostadores resgatarem o saldo remanescente nas plataformas.

6 de outubro — Sites e aplicativos saem do ar: plataformas deixam de funcionar; acessos devem redirecionar usuários a orientações sobre como recuperar saldos.

7 e 8 de outubro — Envio das informações aos bancos: plataformas devem informar aos bancos o saldo remanescente de cada usuário, a conta bancária de origem dos depósitos e o CPF do apostador.

9 a 14 de outubro — Devolução dos valores: período em que as plataformas deverão realizar a devolução integral dos saldos remanescentes aos usuários.

Com o cancelamento da reunião, autoridades e clubes seguem sem um espaço oficial de negociação sobre apoio financeiro e prazos de transição, enquanto se aguarda possível remarcação do encontro.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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