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quarta-feira, outubro 14, 2026

Falta de reconhecimento no trabalho pode prejudicar a saúde, aponta tese da Unicamp

Quem e o que

Ricardo Bertoni Pompeu, pesquisador da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (SP), investigou como a falta de reconhecimento no trabalho impacta a saúde mental dos empregados. O resultado da pesquisa tornou‑se a tese de doutorado intitulada “Reconhecimento no ambiente de trabalho: indo além da Justiça Organizacional” e foi repercutido no Jornal da Unicamp.

Onde e como a pesquisa foi feita

A investigação incluiu entrevistas com 18 trabalhadores, entre 20 e 40 anos, de setores diversos. Os relatos descrevem exposição contínua a riscos ocupacionais — como assédio, metas inatingíveis, sobrecarga e invisibilização — que favoreceram o adoecimento dos entrevistados.

Conceitos teóricos

Pompeu fundamentou seu trabalho na Teoria do Reconhecimento do filósofo Axel Honneth e na Psicodinâmica do Trabalho do psiquiatra Christophe Dejours. A partir dessas referências, o pesquisador detalha o que chama de “trabalho real”: o esforço oculto exigido para executar tarefas, que inclui componentes cognitivos, físicos, afetivos, emocionais e psíquicos. Exemplos citados pela pesquisa mostram que produzir um relatório envolve decisões sobre conteúdo e profundidade, desconfortos físicos do ambiente e gestão de relações com colegas, além de angústias sobre a própria competência.

Casos e efeitos

Entre os episódios relatados, há o de um vendedor que aceitou reduzir sua remuneração ao abrir mão de comissões para se adequar a um cargo de subgerente; a empresa contratou outra pessoa para a vaga e ainda o fez treinar o contratado. O desempoderamento no caso resultou em gagueira, ansiedade e outros sintomas no trabalhador.

Novas categorias de sofrimento

A partir dos depoimentos, Pompeu propõe duas patologias organizacionais: a contingencialidade e a disjuntividade. A contingencialidade descreve a convocação do empregado apenas para demandas imediatas, sem consideração por sua vida pessoal ou planos, tornando‑o descartável apesar de vínculos formais. A disjuntividade refere‑se ao apagamento da trajetória profissional, em que só o desempenho momentâneo importa, inviabilizando o reconhecimento acumulado ao longo do tempo.

Regulamentação e críticas

Desde 26 de maio de 2026, empresas brasileiras são obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incorporando esses aspectos à NR‑1, norma criada em 1978 que trata da gestão de riscos ocupacionais. Pompeu, contudo, manifesta ceticismo sobre a efetividade da medida: ele e o psiquiatra Christophe Dejours avaliam que muitas organizações podem produzir apenas documentação para atendimento formal à norma, sem mudanças reais nas condições de trabalho. Ainda segundo o pesquisador, gestores tendem a tratar casos de adoecimento como problemas individuais, em vez de reconhecerem a origem organizacional do sofrimento.

A tese e os relatos destacam como a ausência de reconhecimento e as práticas organizacionais contemporâneas podem agravar o estresse e contribuir para o adoecimento mental dos trabalhadores.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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