O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (30) que as empresas estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhões em agosto de 2026. Trata-se do primeiro resultado positivo das estatais no ano, sendo o último superávit registrado em dezembro de 2025, quando o saldo foi de R$ 1,16 bilhão.
O número divulgado pelo BC também representa o maior superávit para o mês de agosto desde o início da série histórica da instituição, em dezembro de 2001; até então, o melhor desempenho para esse mês havia sido em 2023, com R$ 1,39 bilhão.
O Banco Central esclareceu que o termo “superávit” significa que as receitas das empresas superaram os gastos no período. O BC tem a atribuição de registrar e divulgar esses dados, mas a responsabilidade pela gestão e pelos resultados das estatais compete ao governo federal.
Quem entra no cálculo e metodologia
Na contabilização do Banco Central entram empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. A instituição não inclui Petrobras, Eletrobras nem empresas do setor financeiro (bancos públicos) no cálculo das estatais federais. Segundo o BC, Petrobras e Eletrobras foram excluídas do indicador em 2009, e a série histórica foi revisada com base na nova metodologia, válida a partir de 2002.
O conceito adotado pelo BC considera apenas a variação da dívida, metodologia comum em análises fiscais internacionais, enquanto o governo utiliza o conceito “acima da linha” (receitas menos despesas, desconsiderando juros da dívida).
Resultado acumulado e risco fiscal
No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, entretanto, as estatais federaais permanecem em déficit. O rombo parcial somou R$ 6,51 bilhões, segundo o Banco Central, valor próximo ao maior déficit já registrado para um ano fechado, de -R$ 6,73 bilhões em 2024.
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, encaminhado ao Congresso em abril, o governo admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, deverão continuar no vermelho até 2030. Em julho, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, apontou uma “deterioração perceptível” da saúde financeira de parte das estatais, o que aumenta o risco para o Tesouro Nacional.
O papel dos Correios
O desempenho agregado das estatais tem sido fortemente impactado pela situação dos Correios. A empresa registrou rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e déficit de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. O governo reconhece a possibilidade de agravamento da situação econômico-financeira da estatal, apesar do plano de reestruturação em curso.
Entre as medidas previstas no plano de reestruturação estão redução de custos, saneamento de planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e reajuste tarifário, entre outras ações. Mesmo assim, a expectativa do governo, conforme a LDO de 2027, é de que a empresa continue apresentando elevado prejuízo em 2026.
Para enfrentar o déficit, os Correios contrataram em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional autorizou a estatal a captar até mais R$ 8 bilhões com garantias da União. Em maio, o governo autorizou a empresa a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia, permitindo convênios com instituições financeiras para ofertar esses serviços.
Esses são os dados e medidas divulgados até a última atualização da reportagem; o Ministério da Gestão foi consultado pelo G1 sobre as causas do superávit de agosto, eventuais ações adotadas e a sustentabilidade do resultado, e informou que enviaria resposta posteriormente.
Com informações de G1




