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terça-feira, outubro 13, 2026

BYD Shark 6 é invadida remotamente durante teste na Austrália

Uma BYD Shark 6 sofreu acesso remoto durante um teste realizado na Austrália pelo especialista em cibersegurança automotiva Dan Hreszczuk. A invasão permitiu manipular funções da picape enquanto ela trafegava, além de ativar o microfone da cabine e rastrear a localização do veículo.

O experimento foi solicitado pela emissora australiana ABC. Hreszczuk, cofundador da Fortify Labs, relatou ter passado duas semanas analisando os sistemas do modelo antes de efetuar o teste em uma estrada nos arredores de Camberra. Segundo ele, a brecha explorada não exigia senha: “Foi mais fácil do que estávamos esperando”.

Durante a demonstração, a picape — que tem 2,6 toneladas — circulava a aproximadamente 30 km/h quando o pesquisador desligou os faróis. Ele também acionou os limpadores na velocidade máxima, usou o esguicho do para-brisa, travou as portas e reproduziu sons e imagens pela central multimídia.

Em determinado momento, o sistema de som passou a emitir uma mensagem de orientação ao motorista. Os freios e as câmeras, por sua vez, dispunham de proteções mais rígidas e não puderam ser controlados remotamente.

O acesso remoto permitiu controlar recursos como iluminação externa, limpadores, esguicho do para-brisa, travas das portas, sistema de áudio, central multimídia, microfone interno e rastreamento da localização.

Hreszczuk também ativou o microfone da cabine e acompanhou em tempo real o deslocamento do veículo. Em uma conversa registrada entre o motorista e a mãe sobre internet banking, o pesquisador gravou o áudio, que incluiu o comando “Hey Siri”. Mais tarde, com o celular desbloqueado dentro do carro, ele reproduziu pelos alto-falantes uma versão editada da gravação e a assistente do iPhone respondeu a comandos, fornecendo informações como endereço, data de nascimento e contatos.

A demonstração evidenciou como uma vulnerabilidade no automóvel pode ser explorada para interagir com outros dispositivos presentes na cabine, ressaltando que a segurança de veículos conectados envolve também proteção de dados e privacidade.

O teste ocorreu em um contexto no qual a Austrália ainda não dispunha de padrões mínimos obrigatórios de cibersegurança para veículos. O governo australiano havia iniciado consultas com o setor para definir novas exigências sobre proteção digital e atualizações de software, mas a previsão apresentada na reportagem indica que essas regras devem demorar anos para entrar em vigor.

Sobre o caso, Hreszczuk resumiu a facilidade do acesso: “Não precisei arrombar a fechadura porque a BYD deixou a porta da frente aberta”. A BYD, por sua vez, afirmou que os dados coletados são armazenados na Austrália e que não entregou nem entregaria informações de australianos às autoridades chinesas. O episódio ampliou o debate sobre a proteção dos sistemas e dos dados em veículos conectados.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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