A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou, na sexta-feira (13 de março de 2026), um conjunto de projeções sobre os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira. No chamado cenário “disruptivo” (radical), com preço médio do petróleo em US$ 100 por barril neste ano, o governo estima que a inflação ficaria acima de 4% e a arrecadação federal líquida — já descontadas as transferências a estados e municípios — subiria R$ 96,6 bilhões em 2026.
Causas e canais de impacto
Segundo o ministério, a elevação dos preços do petróleo tem efeito direto sobre receitas públicas por meio do aumento de royalties e participações especiais pagos por empresas de exploração. Além disso, a alta do produto eleva os tributos incidentes sobre o lucro de empresas da cadeia de produção, refino e distribuição (como IRPJ e CSLL). Há ainda efeitos indiretos em outras receitas quando a base tributária se altera em função da valorização da commodity.
Cenários traçados
O documento apresentada três hipóteses sobre o preço médio do barril e seus reflexos:
Choque temporário: preço médio do barril em US$ 73,1 neste ano; impacto de 0,14 ponto percentual na inflação; aumento de US$ 2,5 bilhões no saldo comercial; elevação de R$ 21,4 bilhões na arrecadação.
Choque persistente: preço médio do barril em US$ 82 neste ano; impacto de 0,33 ponto percentual na inflação; aumento de US$ 5,1 bilhões no saldo comercial; elevação de R$ 48,3 bilhões na arrecadação.
Choque disruptivo: preço médio do barril em US$ 100 neste ano; impacto de 0,58 ponto percentual na inflação; aumento de US$ 10,3 bilhões no saldo comercial; elevação de R$ 96,6 bilhões na arrecadação.
Riscos e efeitos não lineares
O ministério ressalta que impactos mais extremos no preço do petróleo não se comportam de forma linear. Situações ainda mais disruptivas elevam a incerteza e a aversão ao risco, o que pode prejudicar o comércio internacional e o crescimento global, conduzindo a um quadro de estagflação e, nesse contexto, afetando negativamente o crescimento do Brasil.
Perspectivas para 2026
Apesar dos choques simulados, o governo considera as perspectivas macroeconômicas para 2026 favoráveis. Nas simulções, a alta do petróleo tende a apoiar a atividade econômica, melhorar a balança comercial e aumentar a arrecadação, sendo que apenas o choque disruptivo geraria alta de inflação mais pronunciada. Assim, a expectativa do ministério é de crescimento “resiliente”, continuação da queda da inflação e cumprimento da meta do resultado primário para 2026.
Com informações de G1




