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terça-feira, outubro 13, 2026

Estudantes e servidores protestam na França por mais professores, salários e recursos; comparação com Brasil

Manifestações de alunos do ensino médio e universitários ganharam força na França nesta semana, com reivindicações que incluem contratação de professores substitutos, aumento de verbas para a administração pública e melhorias salariais para servidores. Organismos internacionais e levantamentos recentes permitem comparar essas queixas com a realidade brasileira, embora apontem distinções significativas entre os sistemas educacionais.

Fontes de dados

As comparações citadas têm como base a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS) 2024, que ouviu professores e diretores sobre jornada, contratos, salários e condições de trabalho, e o relatório Education at a Glance 2026, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aborda a falta de docentes e outros aspectos dos sistemas educacionais.

Salários e satisfação

Em 2024, um professor do sistema público francês recebeu, em média, €3.090 líquidos por mês, valor que representou aumento nominal de 6,4% e ganho real de 4,3% após descontar a inflação do ano. Mesmo assim, apenas 27% dos professores dos anos finais do ensino fundamental disseram estar satisfeitos com a remuneração no TALIS 2024. No Brasil, a satisfação foi de 22,3%, com aumento de quatro pontos desde 2018. O país tem piso nacional profissional para professores da educação básica fixado em R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais em 2026, com reajuste de 5,4%, mas esse não é o valor efetivamente pago a todos os docentes.

Jornada e distribuição do trabalho

Os dados do TALIS mostram diferenças na organização do tempo de trabalho. Entre 2018 e 2024, a jornada total declarada por professores no Brasil aumentou 4,6 horas por semana, enquanto na França não houve mudança significativa no mesmo período. Segundo o levantamento, professores brasileiros dedicam cerca de nove horas a mais por semana a atividades de ensino do que seus pares franceses, embora a jornada total global seja apenas um pouco maior.

Fontes de estresse

As principais causas de estresse apontadas variam entre os países. Na França, os três itens mais citados foram: 62% — acompanhar mudanças nas exigências das autoridades, 58% — excesso de trabalho administrativo, e 49% — adaptação das aulas para alunos com necessidades educativas especiais. No Brasil, os mais recorrentes foram: 66% — responsabilização pelo desempenho dos alunos, 64% — manter a disciplina em sala de aula, e 60% — excesso de correções.

Estabilidade e vínculos

Quanto à estabilidade de vínculos, o TALIS indica que 94% dos professores dos anos finais do ensino fundamental na França tinham contrato permanente em 2024, contra 64% no Brasil. A proporção de docentes em regime parcial também difere: 16% na França e 72% no Brasil, observando-se que o critério do TALIS considera parcial quem declara trabalhar até 90% da jornada integral.

Escassez de professores e permanência

O relatório Education at a Glance 2026 destaca várias formas de escassez docente, desde profissionais sem qualificação plena até vagas não preenchidas. No Brasil, 9% dos professores da educação básica pública não eram considerados plenamente qualificados em 2024/25, cifra próxima à média da OCDE (9,1%). Em relação à saída da profissão, 10,3% dos docentes plenamente qualificados brasileiros deixaram a carreira em 2022 (aposentadorias ou desligamentos), ante 1,9% na França em 2023/24.

Financiamento e resultados

Em 2023, Brasil e França destinaram cada um cerca de 4,5% do PIB à educação, segundo a OCDE, mas o gasto por estudante na paridade do poder de compra foi estimado em aproximadamente US$ 13,8 mil na França e US$ 4,1 mil no Brasil. Para 2026, o orçamento francês da Educação Nacional previu aumento de €200 milhões e quase 5.900 vagas adicionais, com parte das medidas justificadas pela redução demográfica do número de alunos. No Brasil, o financiamento envolve União, estados e municípios e mecanismos como o Fundeb.

Desempenho dos estudantes

Os resultados do PISA 2025 mostraram queda do desempenho francês em matemática e leitura em relação a 2022, situando-se entre os níveis mais baixos já registrados pelo país, embora próximos da média da OCDE. Os alunos brasileiros permaneceram abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências: 28% alcançaram pelo menos o nível 2 em matemática (ante 65% na OCDE); em leitura, 49% (ante 69%); em ciências, 48% (ante 74%).

As manifestações na França trazem à tona demandas semelhantes às debatidas no Brasil — valorização profissional, ausência de professores, condições de trabalho e recursos —, mas os dados apontam que as causas e a organização do trabalho docente diferem entre os dois países.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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