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terça-feira, outubro 13, 2026

Uso do rotativo do cartão de crédito bate recorde em 2026; Lula propõe limitar um cartão por pessoa

Recorde no rotativo e proposta de limitação

O crédito rotativo do cartão de crédito, apontado como a linha com as maiores taxas do mercado financeiro, registrou R$ 311 bilhões em contratações nos primeiros oito meses de 2026, segundo dados do Banco Central. O montante representa um novo recorde e supera os R$ 266 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025. Na parcial de 2026, as concessões já se aproximam do total apurado em todo o ano passado, de R$ 403 bilhões.

Em 1º de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que está discutindo com o Banco Central a possibilidade de proibir que uma pessoa tenha mais de um cartão de crédito. O objetivo, segundo o presidente, é reduzir o endividamento da população. “Esses dias conheci um pai de um menino autista que recebeu o quarto cartão de crédito em casa e gastou R$ 80 mil e estava com uma dívida de R$ 80 mil. Nós precisamos fazer uma reformulação na economia brasileira. Galípolo [presidente do BC] sabe que precisamos moralizar um pouco essa questão de crédito, não é possível a gente permitir que a sociedade seja endividada da forma mais irresponsável possível”, afirmou Lula.

Dados do Banco Central sobre uso e inadimplência

O Banco Central informou que, no início deste ano, 101 milhões de pessoas no Brasil usavam cartão de crédito, o que equivale a quase metade da população. Em janeiro, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam com dívida no rotativo. A taxa de inadimplência dessa linha chegou a 63,5%, ou seja, mais de R$ 60 em cada R$ 100 emprestados não foram pagos.

As taxas de juros do rotativo são as mais elevadas do sistema: a média registrada em agosto chegou a 445% ao ano. Em comparação, o crédito consignado apresenta taxas muito menores, variando entre aproximadamente 24% e 56% ao ano.

Medidas e contexto recente

Em janeiro de 2024, Congresso e governo aprovaram limites ao endividamento no rotativo: o valor total da dívida, com juros e encargos, não pode ultrapassar o dobro do valor original. Assim, uma dívida de R$ 100 não pode se transformar em mais de R$ 200.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou em março que muitas pessoas vêm usando linhas como o rotativo como se fossem parte da renda, e que isso deveria ser tema de uma “discussão estrutural”. “Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, disse Galípolo, citando a necessidade de arranjos de crédito mais saudáveis.

Os dados também mostram que, entre 2012 e 2020, os desembolsos pelo rotativo nunca haviam superado R$ 225 bilhões por ano. O período da pandemia e o pagamento do Auxílio Emergencial em 2020 e 2021 alteraram esse padrão; desde o fim do auxílio, em 2022, as concessões cresceram e chegaram a mais de R$ 400 bilhões em 2025. O período pós-pandemia foi marcado por forte pressão inflacionária, com inflação oficial superior a 10% em 2021 e cerca de 5,8% em 2022.

Para oferecer alternativas a juros mais baixos, o governo lançou, no ano anterior, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado; até junho deste ano foram liberados R$ 130 bilhões. Entre as opções apresentadas, trabalhadores podem oferecer o FGTS como garantia, opção que entidades de defesa do consumidor recomendam avaliar com cautela.

O crescimento do uso do rotativo e as propostas de restrição ao número de cartões entram na agenda pública como medidas para tentar reduzir o endividamento da população e os riscos associados às taxas elevadas dessa modalidade.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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