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terça-feira, outubro 13, 2026

Economistas apontam equilíbrio fiscal como maior desafio para o próximo governo; dívida chega a R$ 11,05 trilhões

Mais de 20 economistas de diferentes correntes e funções — incluindo autoridades, ex-autoridades, pesquisadores e profissionais do mercado — disseram ao g1 que a principal dificuldade do futuro governo será restaurar o equilíbrio fiscal. A preocupação com as contas públicas aparece de forma recorrente nas respostas e está diretamente relacionada ao recente aumento da dívida.

Em agosto, o endividamento do setor público (governo federal, Previdência, estados e municípios) atingiu R$ 11,05 trilhões, ou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) — a maior proporção desde abril de 2021. Na prática, esse nível de dívida corresponde a cerca de dez meses da produção econômica brasileira.

Os entrevistados destacam que o problema tem início no resultado primário, ou seja, na diferença entre receitas e despesas do governo, e se reflete na trajetória crescente da dívida. Quando o gasto público supera a arrecadação por longos períodos, o governo precisa se financiar mais, elevando o endividamento e a percepção de risco por parte dos investidores. Isso tende a pressionar juros e inflação, manter a taxa Selic em patamares altos e encarecer crédito para famílias e empresas, reduzindo o ritmo de crescimento econômico.

Para muitos especialistas, um ajuste fiscal robusto é condição necessária para aliviar essas pressões e abrir espaço a investimentos, consumo e expansão econômica. O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega ressaltou que o presidente eleito deverá apresentar medidas concretas de ajuste rapidamente, sob risco de provocar um choque de expectativa que eleva o dólar, os juros futuros e reduz a oferta de crédito.

Além do ajuste fiscal, pesquisadores e analistas apontaram outros desafios que exigirão atenção do próximo governo:

  • Produtividade: elevar a capacidade do país de gerar riqueza por meio de melhorias na educação, qualificação, inovação e investimentos mais eficientes.
  • Juros e endividamento: aliviar o peso das dívidas de famílias e empresas e criar condições para uma redução sustentável das taxas de juros, o que depende também do equilíbrio fiscal.
  • Reformas e ambiente de negócios: avançar em reformas, como a tributária e administrativa, reduzir burocracia e dar previsibilidade regulatória para ampliar investimentos e competitividade.
  • Relações internacionais: administrar tensões geopolíticas e manter relações estratégicas, sobretudo com Estados Unidos e China, sem prejudicar o comércio e os fluxos de investimento.
  • Investimento e infraestrutura: atrair recursos para áreas como transporte, energia e saneamento, sem comprometer a capacidade de ajuste fiscal do país.

Os economistas consultados incluem, entre outros, Adriana Dupita (Bloomberg Economics), Alex Agostini (Austin Rating), Alexandre Pires (Ibmec SP), Alexandre Schwartsman (ex-diretor do Banco Central), André Galhardo (Análise Econômica), André Perfeito (Garantia Capital), André Roncaglia (FMI/UnB), Bruno Imaizumi (4intelligence), Fábio Gallo (FGV-SP), Felipe Salto (Warren), Gino Olivares (Azimut), Gustavo Sung (Suno), Jason Vieira (Lev DTVM), Joelson Sampaio (FGV), Maílson da Nóbrega, Marcos Praça (ZERO Markets), Otto Nogami (Insper), Patrícia Pelatieri (Dieese), Paulo Feldmann (FEA-USP), Roberto Dumas (Insper) e Sergio Vale (MB Associados).

Em suas análises, os especialistas enfatizam que o ajuste não será simples: despesas obrigatórias estão muito concentradas, parte significativa da população depende de políticas públicas e, portanto, reformas que alterem benefícios ou gastos exigirão convencer o Congresso e a sociedade. Ao mesmo tempo, ressaltam que um ajuste excessivo sobre investimento público pode reduzir o potencial de crescimento de longo prazo.

Os economistas também destacaram a necessidade de políticas que promovam desalavancagem ordenada de famílias e empresas, aperfeiçoem o marco regulatório para infraestrutura, reduzam custos de produção e melhorem a qualidade da educação e da formação profissional para elevar a produtividade.

O consenso entre os entrevistados é que a agenda fiscal deverá dominar os primeiros meses do novo governo, mas que a solução passa por combinar medidas de curto prazo para estabilizar as contas com iniciativas de médio e longo prazo capazes de recuperar produtividade e confiança, sem sacrificar investimentos essenciais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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