Fundos negociados no exterior que acompanham o desempenho da bolsa brasileira apresentaram altas expressivas neste domingo (4), reagindo à liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial e à confirmação do segundo turno entre ele e Lula (PT).
Nos Estados Unidos, o fundo EWZ — que reúne ações de empresas brasileiras — saltou quase 10% no after-hours, o período de negociação posterior ao fechamento da Bolsa de Nova York. Às 23h50, no horário de Brasília, o EWZ era negociado a US$ 42, alta de 9,98%. No pregão regular, o fundo havia encerrado a US$ 38,19, com ganho de 2,83%.
A reação também foi observada na Ásia. Em Tóquio, um fundo que acompanha o Ibovespa abriu o pregão em alta de 9,40%, sendo cotado a 322 ienes no início das negociações locais. Esses movimentos refletem a avaliação de agentes financeiros de que o resultado do primeiro turno aumentou as chances da oposição na disputa presidencial e anteciparam parte das expectativas para a abertura dos mercados no Brasil nesta segunda-feira (5).
Analistas apontam que o desfecho do primeiro turno elevou a probabilidade de mudança na política econômica, com maior ênfase no ajuste fiscal — o conjunto de medidas para equilibrar as contas públicas. Com essa leitura, investidores passaram a projetar valorização das ações, apreciação do real e queda do dólar e dos juros futuros.
“O movimento mais visível provavelmente apareceria primeiro na bolsa, com uma alta relevante do Ibovespa e maior sensibilidade das estatais, especialmente Petrobras e Banco do Brasil. Mas, para mim, a mudança mais importante estaria na curva de juros”, afirmou Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos.
Para Felipe Balassiano, chefe de multimercados do ASA, os possíveis cenários de transferência de votos tornam mais difícil uma vitória de Lula no segundo turno. “Esperamos alta forte da bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais, com o mercado antecipando uma vitória de Flávio. A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo.”
Os resultados das negociações no exterior servem como termômetro das expectativas dos investidores sobre a direção da política econômica e devem influenciar a abertura dos mercados no Brasil na segunda-feira, com atenção especial à performance de estatais e à curva de juros.
Com informações de G1




