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segunda-feira, outubro 12, 2026

Por que o preço do petróleo mantém alta mesmo com a retomada das exportações no Golfo Pérsico

O preço do petróleo continua em patamar elevado apesar da volta do transporte pelo Estreito de Ormuz e da recuperação parcial das exportações do Golfo Pérsico. Em 1º de outubro, o Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100 por barril, mesmo com estimativas de fluxo de petróleo bruto mais próximas dos níveis de antes do conflito.

O que ocorreu

Desde o começo da guerra entre Estados Unidos e Irã, a atenção do mercado se concentrou no Estreito de Ormuz, passagem que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e serve ao escoamento de petróleo de países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Interrupções no tráfego pela rota geraram temores de menor oferta global e deram impulso à alta de preços já no início do conflito.

Retomada dos fluxos e persistência da alta

O transporte de petróleo pelo estreito voltou a ocorrer e as exportações do Golfo Pérsico chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, segundo estimativa do Goldman Sachs, nível próximo à média de 2025. Ainda assim, os preços permaneceram elevados porque a recuperação não foi homogênea ao longo da cadeia.

Embora o petróleo bruto esteja circulando novamente, as exportações de combustíveis refinados — diesel, gasolina e querosene de aviação — seguem abaixo do normal, refletindo impactos do conflito sobre refinarias e riscos no transporte desses produtos. “Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação, seja por oleodutos ou seja mesmo por navios petroleiros”, afirmou Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing.

Estoques e formação de reservas

A Agência Internacional de Energia (IEA) apontou queda de 507 milhões de barris nos estoques globais desde fevereiro. No mesmo intervalo, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência. Com estoques baixos, empresas e governos tendem a recompor almofadas de segurança, mantendo a pressão sobre os preços.

Risco de novas interrupções e demanda de inverno

O mercado também precifica o risco de novas escaladas do conflito ou ataques a instalações de produção, refinarias e navios, que poderiam reduzir a oferta. A chegada do inverno no Hemisfério Norte, com aumento do consumo de energia nos Estados Unidos e na Europa, pode elevar ainda mais a demanda por derivados de petróleo.

O governo alemão anunciou cortes nos impostos sobre gasolina e diesel para atenuar o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas.

O que precisa mudar para haver queda sustentada

Para uma baixa mais consistente nos preços, a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, aponta três condições: recuperação duradoura das exportações; retomada da produção interrompida; e normalização do mercado de combustíveis. A EIA estima que, em média, 5,7 milhões de barris por dia de produção permanecerão parados no quarto trimestre e projeta que a maior parte da produção do Oriente Médio retorne a níveis próximos aos anteriores ao conflito no segundo trimestre de 2027.

Em 2 de outubro, o petróleo chegou a ficar abaixo de US$ 100 após notícias de que países podem liberar reservas para aumentar a oferta global. Segundo a Reuters, membros da União Europeia discutem liberar 50 milhões de barris de diesel, enquanto integrantes da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo.

Enquanto isso, Estados Unidos e Irã seguem em impasse após meses de guerra e negociações frustradas; as principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções americanas e garantias de livre navegação no Estreito de Ormuz.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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