O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump responsabilizou, nesta segunda-feira, os ataques da Ucrânia a refinarias russas pelo aumento nos preços da gasolina, afirmando que o conflito com o Irã deixou de ser o principal motor da alta.
Em postagem na rede social Truth Social, Trump disse: “O que está impulsionando o preço da gasolina não é mais o Estreito de Ormuz, porque números recordes de barris estão saindo quase diariamente, mas sim a palavra ‘refinarias’, onde as refinarias russas estão sendo destruídas pela Ucrânia”.
O político, cujo Partido Republicano corre risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato no próximo mês, também apontou o fechamento de refinarias em estados administrados por governadores democratas como fator agravante.
Contexto do mercado e do conflito
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o mercado acompanha o impacto do conflito sobre os preços do petróleo. Interrupções na produção e no transporte elevaram receios de falta de oferta, com atenção especial ao Estreito de Ormuz, rota-chave para o petróleo do Oriente Médio.
Oito meses após tentativas frustradas de acordo de paz, os preços voltaram a subir mesmo com a reabertura da passagem. Na quinta-feira (1º), o Brent, referência internacional, ultrapassou novamente US$ 100 por barril. Estimativas do Goldman Sachs apontam que as exportações do Golfo Pérsico chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, valor próximo à média de 2025.
Por que os preços seguiram elevados
Especialistas destacam que, embora o petróleo bruto tenha voltado a circular em volumes próximos aos anteriores, os combustíveis já refinados — gasolina, diesel e querosene de aviação — permanecem com exportações abaixo do normal, em parte porque o conflito danificou refinarias e elevou riscos no transporte desses produtos.
O analista Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, ressaltou a necessidade de distinguir etapas da cadeia: produção, refino e mobilidade. A Agência Internacional de Energia (IEA) informou que os estoques globais caíram 507 milhões de barris desde fevereiro, enquanto países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de reservas de emergência, mantendo pressão sobre os preços.
Riscos de nova interrupção, estímulo à formação de estoques de segurança por governos e empresas, e a chegada do inverno no Hemisfério Norte, que tende a elevar a demanda por energia, também contribuem para sustentar os preços. O governo alemão anunciou cortes nos impostos sobre gasolina e diesel para mitigar o impacto sobre consumidores e empresas.
O que poderia reduzir os preços
Para a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, uma queda mais consistente dependeria de três condições: recuperação duradoura das exportações, retomada da produção interrompida e normalização do mercado de combustíveis. A EIA projeta que, em média, 5,7 milhões de barris por dia permanecerão parados no quarto trimestre e estima que a maior parte da produção do Oriente Médio retorne a níveis próximos aos anteriores ao conflito no segundo trimestre de 2027.
Na sexta-feira (2), o petróleo recuou para abaixo de US$ 100 após relatos de que países poderiam liberar reservas de diesel e petróleo: segundo a Reuters, a União Europeia discute a liberação de 50 milhões de barris de diesel, e membros da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris.
Apesar dessas movimentações, Estados Unidos e Irã seguem em impasse. As principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, sanções americanas e garantias de livre navegação no Estreito de Ormuz. O Irã busca o fim das sanções e garantias para retomar negociações; os EUA exigem restrições ao programa nuclear e a preservação da navegação na região.
Com informações de G1




