Uma propriedade de Coronel Freitas, no oeste de Santa Catarina, dedica-se à criação de codornas para consumo de carne e mantém cadeia de produção que inclui reprodução, engorda e abate. O frigorífico ligado à granja processa entre 15 mil e 16 mil codornas diariamente, e metade do total é vendida para o exterior.
Produção e mercado
A propriedade comercializa codornas inteiras nos pesos de 100, 150 e 200 gramas. As aves de 100 e 150 gramas são direcionadas principalmente ao mercado externo, enquanto as de 200 gramas permanecem no Brasil, atendendo demanda interna, especialmente na Região Sul, em parte do Nordeste e no Distrito Federal. Os principais destinos das exportações são Japão e Emirados Árabes. O quilo é vendido pela propriedade por cerca de R$ 50, em média.
Rotina de reprodução e biossegurança
O trabalho com codornas de corte teve início há cinco anos na granja. No setor de reprodução, conhecido como matrizeiro, machos e fêmeas permanecem juntos para gerar ovos férteis. Cada gaiola abriga 40 aves — 31 fêmeas e nove machos — e, em um dos barracões, são coletados cerca de 3.500 ovos por dia. A coleta é realizada quatro vezes diariamente, com cuidados para evitar rachaduras e acomodar os ovos nas bandejas.
O ambiente de reprodução é mantido entre 20°C e 25°C, com iluminação de 16 a 18 horas por dia. As aves têm água disponível à vontade e recebem ração específica para a fase de postura durante todo o dia. Segundo a equipe da propriedade, esses cuidados resultam em aproximadamente 90% de ovos viáveis. Funcionários e visitantes precisam tomar banho e trocar de roupa antes de entrar nas instalações, e os veículos são desinfetados como parte das medidas de higiene.
Engorda e manejo
As codornas criadas para carne são da linhagem europeia, escolhidas pelo rápido crescimento. Nos primeiros dias de vida, recebem ração com maior concentração de proteína, formulada com ingredientes como milho, farelo de soja, cálcio e minerais. A alimentação segue quatro fases — pré-inicial, inicial, crescimento e final — com as mesmas matérias-primas, mas em proporções que mudam conforme o desenvolvimento; a participação de proteína diminui com o tempo, enquanto os carboidratos aumentam.
A temperatura do alojamento também é ajustada: cerca de 35°C no primeiro dia, reduzida gradualmente até alcançar aproximadamente 22°C à medida que as aves desenvolvem a plumagem. Na fase de engorda, as luzes permanecem acesas 24 horas por dia para estimular o consumo de água e ração até que as codornas atinjam o peso desejado.
Na cozinha e consumo regional
Além do mercado industrial, a carne de codorna integra cardápios de restaurantes da região. No município de Arvoredo, a cozinheira Marta Bianchin prepara codorna recheada no fogão a lenha: o recheio leva carne bovina, queijo ralado, milho, azeitona e um pouco de farinha de rosca para dar consistência. O preparo exige cuidado ao preencher as aves para que o recheio não escape; o cozimento dura cerca de duas horas e meia, dependendo da intensidade do fogo.
Um dos segredos da receita é o caldo liberado pelas aves, que é reduzido separadamente com temperos como alho-poró, cebolinha, salsa, cebola e alho, e depois retornado às codornas para dar sabor e cor.
Essas práticas mostram a cadeia completa, desde a reprodução e biossegurança até o abate e a comercialização, com parte da produção voltada ao mercado interno e outra parte exportada.
Com informações de G1




